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«Quando os factos mudam, eu mudo de opinião».


Henrique Monteiro disserta na sua coluna de opinião habitual no Expresso deste fim-de-semana sobre algo que há muito devia ser regra para muitos comentadores que por aí andam. E passamos a citar: «não foi o meu camarada (assim se chamavam os jornalistas) Nicolau Santos que me convenceu. Foi Vítor Gaspar, num texto que escreveu, a lembrar-me que também tenho algo de keynesiano. O texto cita uma frase do economista referida por Samuelson e por Huntington, que diz mais ou menos isto: "quando os factos mudam, eu mudo a minha opinião. E o senhor, o que faz?". (...) era este keynesianismo de espírito livre e aberto e não o dogmático (o mesmo digo para Hayek, Schumpeter ou quem for) que gostaria de ver nos debates. Problemas novos não requerem soluções antigas. Soluções novas é o que não temos. E é aí que Keynes faz falta. Este Keynes que não é o Marx do século XX». Inteligência não é defender até à morte uma opinião quando ela deixa de fazer sentido. Mudar de opinião é, pelo contrário, uma atitude de muita inteligência e maturidade, por sinal. É isso que muitos comentadores, que falam de tudo e nada, que se especializam em tudo e nada, muitas vezes não entendem. 

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