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CGD: o novo buraco financeiro do Burgo.


Cinco mil milhões de euros. É este o valor que, assim, como quem bebe um copo com água, está em falta na Caixa Geral de Depósitos (CGD). No dia em que o país esteve em suspenso - como o próprio Presidente da República fez questão de dizer em Lyon antes do jogo desta quarta-feira da seleção nacional, coisa normal (ironia) num país que tanto mata como ressuscita pessoas -, é bom recordar que em maio passado, o primeiro-ministro, António Costa, aceitou as condições de António Domingues para este aceitar ser presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues. Imperativo? Uma recapitalização do banco num montante que de 4 mil milhões de euros. A 15 de junho deste ano, no Parlamento, Costa garante a Jerónimo de Sousa que o atual Executivo quer a CGD «100% pública, 100% do Estado e 100% capitalizada», sublinhando, na mesma intervenção, que só desta forma é que o banco cumpre a sua missão de financiar a economia. Ora bem, entre acusações, da esquerda à direita, de avanços e recusos de comissões forenses e auditorias e afins, sabemos apenas que este é mais um buraco, impensável, que o país vai ter de pagar. Depois do BPN, BPP, BES e Banif, a banca nacional está a atingir níveis gloriosos de grandes gestores. E nem o grande e tão «querido» banco público escapa ao vendaval. Pergunto eu, contribuinte, cidadã: onde param os CINCO MIL MILHÕES de euros? Onde esteve e está o regulador (Banco de Portugal)? Onde estão os senhores do Reino e as suas nobres famílias que andaram a gozar e bem com CINCO MIL MILHÕES? O pesadelo e uma nova tempestado abatem-se novamente sobre o Burgo. Os do costume, cá estão, com pele e osso, para pagar, uma vez mais a fatura. 
P.S. - À mesma hora que Marcelo dizia em Paris, em modo vulgar, que a CGD tinha de esperar que o país estava suspenso pelo futebol, Mário Centeno, ministro das Finanças, dava uma estranha conferência de imprensa - para dizer nada - sobre o tema, onde sublinhava, ao contrário do Chefe de Estado, a gravidade do assunto. Estamos conversados sobre o ambiente e prioridades que Governo e PR têm sobre o mais recente caso de polícia financeiro do Burgo.

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