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Scorpions: 50 anos de um amor incondicional a Portugal.










50 anos são 50 anos. A voz já se cansa muitas vezes, mas nem por isso deixa de insistir em conceder ao público português o que ele sempre mereceu. Sem James Kottak (baterista), devido a doença, a banda que me acompanha desde que me lembro de ser gente, cumpriu, a 28 de junho, no MEO Arena, em Lisboa. Percorreram inúmeros sucessos de uma longa carreira, mas deram a conhecer inéditos do último álbum, o mesmo que celebra o meio século de existência: Return to Forever. Entre emoções, lágrimas que por aqui caíram, e algum saudosismo de um adeus que parece definitivo, há momentos que tenho de referir. O medley, já esperado (tendo em conta o alinhamento da digressão nos EUA), das baladas mais adoradas pelo público. Um Always Somewhere apenas acompanhado pela guitarra tornaram a versão não só única como inédita. Não me lembro, em tantos concertos, de ter assistido a uma versão assim. Seguiu-se um Eye of the storm e um Send me an angel que fez bater os corações mais saudosos dos cinco magníficos. Com efeitos cénicos, e ferramentas multimédia, deram um toque de modernidade a um We Built This House, com letra a acompanhar, para ajudar quem não conhecia, de cor, cada frase. A juntar a tudo isto houve um Wind of Change muito especial, com a imagem do muro de Berlim projetada, um muro que eles também ajudaram a derrubar. Foi não só um momento emotivo, que recupera as origens da música que marcou o final da Guerra Fria, como trouxe também mensagens bem atuais. Uma delas, a grande necessidade que o mundo tem de derrubar muros: políticos, sociais, culturais e, sobretudo, geracionais. No já esperado Encore, o costume: um Still Loving You sempre intenso, um histórico Big City Nights, um mítico No One Like You e um tremendo Rock you like a hurricane a fechar o pano. Mais do que a surpresa do espetáculo - foi o que esperava - o reencontro era o meu maior desejo. Porque todos os meus reencontros com as minhas origens, onde os Scorpions pertencem, são pedras que cimentam a minha vida. Alguns amigos perguntavam-me: «achas mesmo que foi a última vez»?. Não sei se foi a última. Sei apenas que, mais uma vez, foi um concerto digno. Digno do público, digno de 50 anos de um grupo que marcou gerações e gerações inteiras. Foi uma noite feliz. Imensamente feliz. Se foi a última? Seguramente que não, porque todas as noites da minha vida serão sempre as últimas em matéria de Scorpions. E não se esqueçam: rock n'roll forever!


P.S. - Um obrigada especial a todos os amigos que me aturaram nos últimos meses (com particular destaque para o Ricardo e o meu mano, João Clara). Todos vocês ouviram-me, pacientemente, sem se queixarem. Quem me conhece, sabe que emoções como estas são mais fortes do que eu. Obrigada a todos aqueles que compreendem o simples facto de, uma banda e 50 anos de canções, marcarem a vida de alguém de forma tão intensa. 

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