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Mensagens

A mostrar mensagens de Setembro, 2016

Alepo: jamais haverá perdão.

O mundo parece esquecer mas não podemos. A destruição de Alepo, na Síria, chega-nos através da Reuters. É impossível dizer que percebemos o que aqui se está a passar. Não há argumento algum que desculpe o horror que fanáticos do Estado Islâmico, Rússia e afins estão a fazer com o povo sírio.

Autárquicas 2017: uma câmara e um coordenador sem candidato.

Shimon Peres: o adeus de um líder controverso. Mas da paz.

Intrinsecamente ligado à fundação do Estado de Israel, em 1948, morreu um Homem que o Mundo jamais esquecerá. Os media irão recordar todos esses momentos por estes dias. O  maior reconhecimento chegou em 1994, tenho sido Nobel da Paz em boa parte devido aos Acordos de Oslo, um ano antes. Ele, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat estarão para sempre ligados a esse feito histórico. Sei que morreu um líder da paz, ainda que muitos possam nunca vê-lo desse modo.

Onde estava Sócrates - primeiro-ministro na defesa dos contribuintes?

José Sócrates tem todo o direito, enquanto cidadão, de se defender. De limpar a sua imagem na praça pública. Mas o antigo primeiro-ministro mancha a sua defesa há largos meses. Depois da prisão preventiva, e das sucessivas contrariedades no caso, com claras dificuldades por parte do Ministério Público em deduzir acusação, Sócrates tem-se desdobrado em inúmeros e desastrados eventos públicos. E tem sido uma triste e sombria aparição. Visivelmente desgastado e abatido, Sócrates é brindado com convites de militantes e simpatizantes do PS em jantares, almoços e conferências onde cria claramente uma estratégia de discurso e foco. Não se coíbe de atacar a Justiça, essa malfeitora que atropela os seus direitos desde o início do processo em que está envolvido. Não mede as palavras para ferir de morte as instituições do Estado, como os tribunais e a Autoridade Tributária, conferindo-lhes uma espécie de tormento para quem, como nós, cidadãos o vamos ouvindo. É certo que José Sócrates pode fazer…

A luta da imprensa escrita.

Esta semana quero falar de boas notícias. Num país que precisa, como nunca, de empreendedorismo e inovação, é com muito orgulho que vi nascer esta sexta-feira um novo jornal no país. Falo do Jornal Económico que estará nas bancas todas as sextas-feiras. A par deste irá nascer, em breve, um outro projeto, o ECO, uma plataforma digital também vocacionada para o jornalismo económico. Quando os média atravessam, há anos, dificuldades de negócio, há quem ainda acredite nas oportunidades e no jornalismo. Isto é tão ou mais importante não só para a classe como para aqueles que, por estes anos, apostam na sua formação. Foi nesta cidade que me fiz jornalista e esta é também uma crónica de incentivo a todos os alunos que frequentam o curso de Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Sim, o sonho é possível. Mas nunca esperando que as oportunidades vos caiam no colo. Sim, é possível, lutando, fazendo sacrifícios e suando pela profissão. Há anos que a imprensa portuguesa s…

Assunção: um caminho com espinhos eternos.

Assunção Cristas é candidata à Câmara de Lisboa nas próximas autárquicas. A líder centrista terá toda a legitimade de potenciar a sua liderança à boleia da capital - aliás, muitos antes dela o fizeram. Só é pena que esta direção esteja num caminho de fraqueza política como nunca vi. Nem no tempo de Ribeiro e Castro - que carregou às costas a herança portista - a coisa foi tão negra. E a avaliar pela forma como tem feito Oposição, Assunção vai bater com cabeça. A queda será gigante. E quando tudo passar, resta saber quem irá pegar num partido em cacos. 
P.S. - E não lembra ao diabo oficializar uma candidatura à principal câmara do país em...Oliveira do Bairro. Os lisboetas devem ter adorado. Aqueles que deram por isso, claro está.

Da série, a redação do CM precisa de regressar aos bancos da escola.

O irrepetível 15 de setembro de 2012

«As Manifestações de 15 de Setembro foram acções de protesto contra a troika e as medidas de austeridade impostas pelo Governo, que teve lugar a 15 de Setembro de 2012, do Norte a Sul de Portugal. A iniciativa foi lançada nas redes sociais por um grupo de 30 cidadãos, tendo como principal objectivo trazer à rua a indignação dos portugueses. Os momentos de maior tensão viveram-se em Lisboa (onde, segundo a organização, estiveram presentes 500 mil manifestantes) e em Aveiro. Estes protestos terão sido as maiores manifestações desde o 1º Primeiro de Maio em 1974». A frase está inscrita na Wikipédia. O país que temos em 2016 não está assim tão diferente daquele ano. Estranhamente, desde então, a revolta social parece anestesiada, enfiada numa gaveta fechada a sete chaves. Pergunto-me porquê. Não tenho respostas. Mas a apatia da sociedade civil é algo que deve estar explicada nos inúmeros estudos sociológicos que se produzem na Academia portuguesa e que servem para...nada.

«A notícia continua a ser o cerne da atividade do jornalismo»

«A notícia continua a ser o cerne da atividade do jornalismo. A atividade do jornalista continua a ser a de alguém que tem uma carteira profissional, que aprendeu um conjunto de regras e que é suposto dar à informação em bruto o contexto que a transforma em informação qualificada e provinda de um jornal e isso é válido na rede, nos jornais e nas televisões. E isso está em risco, em grande parte também pelos mitos associados às redes sociais e à internet». Pacheco Pereira, historiador, esta quinta-feira, em Aveiro, durante o Fórum nacional de tecnologia "Techdays".

Lisboa e eu. Eu e Lisboa.

Quando temos saudades da nossa cidade, precisamos estar com ela. Só nós e ela. Só ela e nós. E depois, bem, depois, a vida segue, sempre em paz e reconfortante. Lisboa, menina e moça que mora cá na casa. Lisboa, 15-09.16, Fotos: Ana Clara

A realidade mora ao lado. Ao nosso lado.

Registos platónicos. Tristes. Reais. Revoltantes. Porque eles estão cá, nas nossas vidas, e não podemos ignorar. Ribeira das Naus, Lisboa, 15.09.16. Foto: Ana Clara

A frase do dia.

Às vezes, era bom haver distanciamento ideológico e ouvir quem sabe da poda. Porque o que nos diz Teodora Cardoso nada tem que ver com opções políticas. Tem unicamente a ver com economia e com a saúde das contas do país. Uma economia frágil, para a qual os investidores olham com desconfiança, não pode nunca rumar ao famigerado crescimento económico.

20 anos depois o Jornalismo volta a reunir em Congresso

Num tempo em que o jornalismo tradicional, tal como o conhecemos, está em mudança constante – com o online a ser o alvo desse paradigma – é com agrado que vejo o Sindicato da classe avançar com a organização do 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses, que se realiza de 12 a 15 de janeiro de 2017 no cinema São Jorge em Lisboa. 


É, de facto, um marco, já que o último encontro foi em 1998. Passaram quase 20 anos e, o mundo mudou. A forma e posicionamento da classe também. Esperamos que seja um momento que faça algo pela classe e que ajude a refletir sobre os processos em curso de menorização do setor. O desemprego e as condições laborais de muitos profissionais deverá, a meu ver, ser parte central do encontro. Veremos. O processo de inscrições já começou e decorre até 16 de dezembro. Os jornalistas podem inscrever-se no site do Congresso. Quem se registar até 31 de outubro beneficia de um desconto de 50%. "Afirmar o Jornalismo" é o lema deste congresso. «É um lema assertivo o s…

O Inferno de Monchique no país que arde há décadas.

Corria o verão quente de 2012. No início de agosto desse ano percorri, durante dias, a famigerada serra do Caldeirão que, nesse ano, viu arder mais de 26 mil hectares (cerca de 5 mil dos quais de área de produção florestal). A reportagem desse agosto infernal havia de custar a sair. Aldeias e gentes algarvias pintadas de negro, vidas inteiras de trabalho destruídas em segundos, rendimentos económicos familiares esfumados num ápice. A dor dos outros é, na maioria das vezes, o foco do trabalho de um jornalista, que tem de se manter de aço ante os sonhos destruídos dos outros, ali, desmoronados à nossa frente. Já tinha vivido tragédia semelhante em 2003 e 2005, por aqui, quando o fogo decidiu trazer Inferno igual aos concelhos de Mação, Sardoal e Abrantes. Mas por mais anos que passem continuo sem conseguir digerir os mesmos dramas que todos os anos, por esta altura, afligem o país. E tudo se repete, de forma igual, nas últimas décadas. A história é sempre a mesma, com os políticos a faz…

Do Sul, com amor.

11 de setembro. 15 anos de uma triste memória.

Passaram 15 anos e é impossível apagar da memória aquele dia. Era uma jovem estudante, aspirante a jornalista. Tinha lá dentro todos os sonhos do mundo. Naquele dia, a forma como encarei o meu futuro mudou. A vida que escolhi tem mais espinhos do que doçuras. Mas é isso também que me torna forte todos os dias. 11/09. Jamais me sairá da memória.

2016: o ano em que as gentes serranas do sul reviveram o Inferno.

A sul, o verão 2016 trouxe cinzas, martírios que as gentes marafadas há muito tempo não viviam. Monchique foi massacrada de novo. A serra e as suas povoações viveram novamente dias de inferno onde a lei do mais forte - o lume - é que dita a realidade. Nós, por cá, assistimos a tudo, de alma pesada e coração ferido.

«Saloio de Mação»? É, mas é destes saloios que o país precisa.

“Não sei se tenho inimigos, como dizia um general meu amigo, amigos são os que vão ao meu funeral. E mesmo assim se não estiver a chover. Devo ter muito poucos. Sou o saloio do Mação, [como alguns um dia terão dito], com créditos hipotecários que tem de trabalhar para os pagar, que não tem dinheiros em nome de amigos, não tem contas bancárias em nome de amigos e até desse ponto de vista que não tem amigos”. Carlos Alexandre, SIC. Sempre gostei dos «saloios» de Mação, como eu, filha de mãe e pai de Mação. Goste-se ou odei-se, é por isso, que Carlos Alexandre é dos melhores.

Setembro é mês de regressos. Na política isso significa «redundância».

No primeiro fim de semana de setembro é um clássico da política nacional marcar pontos no regresso à vida ativa. Os nossos queridos políticos fazem-no à sua boa maneira e sempre com a mesma fórmula. Seja o PSD com a sua Universidade de Verão em Castelo de Vide, o CDS com a sua escola de Quadros ou seja o PCP no palco maior do ano, a Festa do Avante, que este ano celebrou 40 anos de existência. O país assiste a discursos iguais aos do ano anterior, com críticas ao poder vigente, com as máximas do costume de que os outros fazem sempre pior que nós. Chega a ser doentio, sobretudo porque os eleitores não são estúpidos, ao contrário do que os políticos muitas vezes pensam. Ver Passos Coelho a atacar o PS por estar a destruir o país e a aumentar as desigualdades é tão grave como ver Jerónimo de Sousa a persistir na cegueira ideológica de um mundo que parou no tempo. Nos intervalos desta rentrée assistimos ao Governo a constatar o esperado: que o crescimento económico e a riqueza do país est…