O insulto por parte deste Governo, nomeadamente que ontem nos chegou do
lado do primeiro-ministro,
começa a ser um crime. Um crime que incorpora a falta de respeito pelos cidadãos,
pelos eleitores que o elegeram e, acima de tudo, por todos aqueles que
actualmente sofrem, na pele, os desvarios que nos impõem. Pedro Passos Coelho defendeu
ontem que Portugal «saiu da zona de perigo», deixando de estar em risco de
insolvência, e que «as bases para o crescimento já se encontram presentes na
economia portuguesa». A confiança, pelos vistos,
voltou a dominar o discurso político parece que os fantasmas de Manuel Pinho
voltam a renascer. Em parte, quiçá, para também Álvaro Santos Pereira não se
sentir tão sozinho nesta cruzada de decretarem o final da crise. Bem sabemos que as eleições
autárquicas estão à porta, bem sabemos que o casamento com o CDS já conheceu
melhores dias, bem sabemos que o eleitoralismo a isso obriga. Mas a viragem no
discurso, sr. Primeiro-Ministro, sobretudo a par das explicações atabalhoadas
do pior Orçamento do Estado que a democracia portuguesa já conheceu, pode
cuspir veneno. O mesmo veneno que o senhor anda a cuspir em cima de todos nós
há meses a fio. Por isso, deixe-se de
demagogias baratas, abandone os discursos preparados nos gabinetes pelos «boys»
que lhe têm lambido as botas desde o tempo da JSD. Olhe para o último ano e
explique-nos por que razão em menos de um mês, os perigos da bancarrota,
utilizado como argumento pelo ministro das Finanças para justificar, por
exemplo, o brutal aumento de impostos, deixaram, assim, de repente, de existir? Então e as eleições, Pedro,
já não «se lixam»? De uma refundação precisa o senhor, caro Pedro, e o acordo
com a Troika, que vai muito mais à frente que o previsto. Porque as estratégias
eleitoralistas, baratas, caro Primeiro-Ministro, essas, conheço eu, há muitos
anos. E o voto, Pedro, o voto já não é o que era. Sabe que mais, sr. Primeiro-Ministro? Que se lixe mas é o senhor!
Há
uma semana, quando a minha crónica na Antena Livre estava no ar, ainda não
havia noção da tragédia dos incêndios desse fim de semana.
Depois, bem, depois, todos sabemos que números nos bateram à porta.
Não vou falar do que aconteceu, nem ajuizar as atitudes políticas. Tudo isso já foi falado, escrito, debatido, de uma forma tóxica até pela sociedade portuguesa.
Quero antes dar-vos o testemunho de alguém que assistiu, in loco, à recuperação, à reconstrução, ao caminho do futuro. Porque é disso que se trata imediatamente após tamanha tragédia. Vivi-o na pele em Agosto com a minha família e assisti de novo ao reerguer de gentes que merecem tudo.
Quero falar-vos de Nuno Pereira, fundador da Lusoberry, empresa que se dedica à produção de mirtilos e inovação dos seus derivados, em Oliveira do Hospital, região terrivelmente afetada pelos incêndios de há uma semana. O Nuno e a sua família viveram este drama por dentro, com amigos e família em perigo, assistiram à tragédia naquelas duras hora…
Depois, bem, depois, todos sabemos que números nos bateram à porta.
Não vou falar do que aconteceu, nem ajuizar as atitudes políticas. Tudo isso já foi falado, escrito, debatido, de uma forma tóxica até pela sociedade portuguesa.
Quero antes dar-vos o testemunho de alguém que assistiu, in loco, à recuperação, à reconstrução, ao caminho do futuro. Porque é disso que se trata imediatamente após tamanha tragédia. Vivi-o na pele em Agosto com a minha família e assisti de novo ao reerguer de gentes que merecem tudo.
Quero falar-vos de Nuno Pereira, fundador da Lusoberry, empresa que se dedica à produção de mirtilos e inovação dos seus derivados, em Oliveira do Hospital, região terrivelmente afetada pelos incêndios de há uma semana. O Nuno e a sua família viveram este drama por dentro, com amigos e família em perigo, assistiram à tragédia naquelas duras hora…

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