Hoje
quero falar-vos do que sou, propondo-vos uma viagem ao que de mais profundo há
neste Portugal rural, numa viagem que começa em Abrantes e termina na pequena
povoação de Louriceira, uma aldeia esquecida no concelho de Mação, na fronteira
entre o norte ribatejano e o sul da Beira Baixa. A
pequena estrada, íngreme, que começa no alto dos vales, continua igual há 30
anos: estreita, mal passa um automóvel. O desenvolvimento, na pequena aldeia da
minha infância, que conta hoje com pouco mais de 10 habitantes, teima em não
chegar. A
escola primária há muito que fechou as portas, caindo na degradação. Facto natural
numa localidade onde as crianças não nascem. Os jovens são poucos e os velhos são
uma imagem da resistência. Chego
na tarde de Natal. O sol passeia-se por ali, entre vales e montes, a chamar por
mim. A viagem rumo à Louriceira é feita de olhares atentos. Numa paisagem de
montes e vales, deixo a estrada principal que vem desde Abrantes. À
medida que desço o Vale, avistam-se, aqui …