Não podia deixar passar o momento sem falar de Mário Soares.
Por estes dias, em que decorrem as cerimónias fúnebres, já tudo foi escrito, já
tudo foi dito, já todos anunciaram, vezes sem conta, a importância que ele teve
e terá sempre para Portugal, para a construção da democracia e daquilo que hoje
somos e temos. Conheci Mário Soares em 2004, na campanha interna do Partido
Socialista, era eu uma jovem jornalista, a dar os primeiros passos no
jornalismo político. Mário, o Pai, apoiava, como seria de esperar, o filho,
João nas eleições internas do PS, contra Manuel Alegre e José Sócrates, tendo
este último vencido o partido rumo a São Bento, como se sabe. Depois disso cruzei-me com ele algumas vezes, sempre em
circunstâncias profissionais. E apenas uma vez, uma única vez, me encontrei com ele
pessoalmente. É sobre essa história que aqui vos quero falar. Para lá do político, do histórico, do advogado e da figura
incontornável da democracia portuguesa havia um Homem, um Homem com uma memória…