Amnistia Internacional lança novo relatório sobre a crise humanitária no Sudão

Novo relatório incide sobre o conflito e crise humanitária que assola o Sudão e que já provocou centenas de milhares de vítimas desde 2023.

Crianças a fugir de um ataque com drones das RSF na zona rural do Norte do Darfur, no Sudão. Foto © Privada/AI

“Cidade sob Cerco, Crianças sob Fogo: Crimes contra a Humanidade das Forças de Apoio Rápido (RSF) no Norte do Darfur", (em inglês “City Under Siege, Children Under Fire’: Rapid Support Forces' Crimes Against Humanity in North Darfur”) documenta como os civis na cidade de El Fasher e arredores foram mortos, feridos, espancados, torturados e detidos, em crimes que amontam a crimes contra a humanidade e limpeza étnica.

A área de El Fasher possui particular relevância estratégica devido às suas consideráveis reservas de ouro e à sua posição como centro geográfico que liga a região do Darfur à Líbia e ao Chade ao longo das rotas comerciais transsaarianas, e era o único e último grande bastião no Darfur para as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças Conjuntas Aliadas (uma coligação de grupos armados locais, composta principalmente por membros da etnia Zaghawa). 

«Tornou-se, por isso, um prémio que as RSF (Forças de Apoio Rápido) pareciam dispostas a conquistar a qualquer preço – algo possibilitado pelo fluxo constante de armas e outros equipamentos dos seus apoiantes estrangeiros, principalmente dos Emirados Árabes Unidos», refere a Amnistia Internacional em comunicado.

Centenas de milhares de crianças foram deslocadas, muitas delas arriscando-se repetidamente à morte e a ferimentos durante os ataques ou enquanto fugiam. Inúmeras ficaram órfãs. Pessoas com deficiência e idosos enfrentaram riscos graves, incluindo ataques direcionados, abandono e exclusão da assistência essencial

O relatório que a Amnistia Internacional agora publica documenta uma série de violações dos direitos humanos cometidas pelas RSF, incluindo o assassinato deliberado de civis, a pilhagem e a destruição de infraestruturas civis . Mulheres e raparigas foram sujeitas a violações e outras formas de violência sexual, enquanto milhares de civis, incluindo crianças, foram mantidos como reféns para resgate e detidos em instalações com condições horríveis, onde foram sujeitos a tortura e outros maus-tratos. 

As crianças foram também recrutadas para o combate e utilizadas noutras funções, como o pastoreio de gado e a recolha de informações. Muitos destes crimes foram perpetrados no âmbito de um ataque generalizado ou sistemático contra a população civil e constituem crimes contra a humanidade. 

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