A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, ordenou a Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) a abrir uma auditoria à Polícia Judiciária (PJ), e em paralelo uma “avaliação interna” da própria PJ durante o mandato do atual ministro da Administração Interna.
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| Crédito da Foto: PJ (Facebook) |
A juntar a isto, Luís Neves vai a julgamento no Tribunal de Contas (TdC), ao contestar a sanção imputada pelo Ministério Público (MP) junto daquele organismo por infrações financeiras enquanto foi diretor nacional da PJ. O julgamento surge na sequência da auditoria à conta de 2023 do órgão de polícia criminal.
Muito por aí tem sido escrito e dito, com críticas ferozes ao facto de o Governo “mandar” investigar um ministro do seu elenco. Na verdade, na minha opinião, isso está correto, para que não fiquem dúvidas de nada. O que é extraordinário é Luís Neves manter-se no cargo e ele próprio não tomar a decisão de se demitir nem Luís Montenegro o exonerar.
Todo este caso tomou proporções graves, com suspeitas insuportáveis, sobretudo em cima de um homem que liderou a PJ durante anos, e que tinha sobre si uma reputação imaculada e no qual eu própria (mea culpa) coloquei muitas fichas. Mas, pelos vistos, como já é hábito, nem tudo o que parece é, e o valor do conceito da gestão da res pública (coisa pública) há muito que se perdeu. O nosso querido Eça (de Queirós) explicava bem isso. A este propósito, lembramos uma citação em ‘Os Maias’:
“É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos
têm «imenso talento». A oposição confessa sempre que os ministros, que ela
cobre de injúrias, tem, à parte os disparates que fazem, um «talento de
primeira ordem»! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela
contantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de «robustíssimos
talentos»! De resto todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta,
portanto, este facto supracómico: um país governado «com imenso talento», que é
de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado!
Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem
uma vez os imbecis!”.
Nos entretantos, segue a silly 2026, quente, airosa e cómica!

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