XIX Governo Constitucional - Parte VII
A Administração Interna é uma das pastas mais sensíveis de qualquer Executivo. Pelo menos, na minha forma de olhar a realidade nacional. Paulo Portas não conseguiu a pasta que, seguramente, almejava. Ainda assim, Miguel Macedo, com uma enorme experiência parlamentar, é, para a classe, uma incógnita. Os polícias e guardas devem estar a pensar a esta hora, mas quem é este homem? Verdade que é uma figura estranha e desconhecida para muitos. Mais: Miguel Macedo faria mais sentido na Justiça, Assuntos Parlamentares ou na Economia. Como antigo líder parlamentar bateu-se no Parlamento, com garra e determinação, ante um Governo socialista decadente. Passos Coelho não arrisca e não deu, como eu sempre disse, a pasta do MAI ao CDS. Mas, esta, é talvez a pasta que mais incertezas nos trará. Os polícias andam nervosos - não é para menos, bem sabemos - mas talvez seja bom uma figura como a de Miguel Macedo, sensata e com alguma tranquilidade para acalmar as hostes. A ver.
Comentários
Macedo vai ter de extinguir os governos civis e as assembleias distritais, o que pode ser menos pacífico do que aparenta, pois a limpeza vai coincidir com a revisão do mapa autárquico. Há centenas (milhares?) de lugares políticos em causa e também os funcionários da administração local que irão dar problemas. Vai ter de se concertar muito bem com Miguel Relvas e com os barões do poder local. Vai ser muito doloroso.
A base política da 3ª república é a matriz feudal. Algo que nunca existiu nem sequer no Portugal medieval.
Só um novo Salazar ou uma revolução conseguiriam fundar um novo regime, porque é disso que se trata.
De outra forma, prevejo outra patuleia, com consequências bem mais graves do que a primeira.
Um pequeno passeio pela História esclarece-nos muito bem do que sucederia a quem tentasse alterar este sistema. Seria uma acto suicida. Fala-se da reforma de Mouzinho da Silveira como a última grande reforma administrativa, mas, em boa verdade, o que foi feito foi apenas uns ligeiros ajustamentos, se compararmos com as intenções reais de Silveira, que nunca sairam do papel