Luís Filipe Catarino era até esta quarta-feira o fotógrafo
oficial do antigo Presidente da República, Cavaco Silva. No dia em que Belém
recebeu um novo inquilino falou-se essencialmente de Marcelo. Com toda a
legitimidade e imperativo jornalístico, o dia era, sem a menor dúvida, dele.
Contudo, para quem anda nas lides há alguns anos, quero, hoje, e aqui, dizer
que cada tempo é da História e o de Cavaco em Belém, por mais sombras que possa
ter, não pode ser tratado como tenho lido em alguns artigos, por muita gente com
responsabilidades. Para o bem e para o mal Cavaco foi Presidente durante
dez anos. O tempo e a História julgá-lo-ão, não tenho a menor dúvida, colocando
no lugar certo a crítica e a justiça (do que não conseguiu fazer) dos seus mandatos. Luís Filipe Catarino era um dos
muitos profissionais que estava em Belém ao serviço da instituição. Era o
fotógrafo oficial. E durante nove anos cada passo do Presidente era também cada
passo do Luís. Sem o seu trabalho, o arquivo da Presidência e o de muitos
jornalistas não seria, decerto, o mesmo. E fez a caminhada construindo um
currículo invejável em matéria de noção do seu trabalho, sabendo que era algo
completamente diferente do de uma redação. É soberbo, porque nem todos teriam o perfil para uma adaptação tão grande e para uma missão tão solitária. É por isso que na quarta-feira, Luís
Filipe Catarino, a par de Cavaco, cumpriu a sua missão até ao último segundo.
Desde as despedidas no Palácio culminando com o último ato do antigo presidente
à chegada a sua casa, na famosa Travessa do Possolo, em Lisboa. Com essa imagem, que aqui
reproduzimos, e publicada no site do Expresso, cumpre-se o momento simbólico do
fim do «cavaquismo» numa caminhada de 30 anos no espectro da política nacional.
Goste-se ou odeie-se da personagem, está acima de tudo o respeito institucional
que os protagonistas – que são pessoas de carne e osso como nós – merecem. É
por isso que este texto é também uma homenagem aos profissionais que, nos
bastidores, fazem girar as instituições e o país. As fotos são, claro está, do
Luís Filipe Catarino.
Há
uma semana, quando a minha crónica na Antena Livre estava no ar, ainda não
havia noção da tragédia dos incêndios desse fim de semana.
Depois, bem, depois, todos sabemos que números nos bateram à porta.
Não vou falar do que aconteceu, nem ajuizar as atitudes políticas. Tudo isso já foi falado, escrito, debatido, de uma forma tóxica até pela sociedade portuguesa.
Quero antes dar-vos o testemunho de alguém que assistiu, in loco, à recuperação, à reconstrução, ao caminho do futuro. Porque é disso que se trata imediatamente após tamanha tragédia. Vivi-o na pele em Agosto com a minha família e assisti de novo ao reerguer de gentes que merecem tudo.
Quero falar-vos de Nuno Pereira, fundador da Lusoberry, empresa que se dedica à produção de mirtilos e inovação dos seus derivados, em Oliveira do Hospital, região terrivelmente afetada pelos incêndios de há uma semana. O Nuno e a sua família viveram este drama por dentro, com amigos e família em perigo, assistiram à tragédia naquelas duras hora…
Depois, bem, depois, todos sabemos que números nos bateram à porta.
Não vou falar do que aconteceu, nem ajuizar as atitudes políticas. Tudo isso já foi falado, escrito, debatido, de uma forma tóxica até pela sociedade portuguesa.
Quero antes dar-vos o testemunho de alguém que assistiu, in loco, à recuperação, à reconstrução, ao caminho do futuro. Porque é disso que se trata imediatamente após tamanha tragédia. Vivi-o na pele em Agosto com a minha família e assisti de novo ao reerguer de gentes que merecem tudo.
Quero falar-vos de Nuno Pereira, fundador da Lusoberry, empresa que se dedica à produção de mirtilos e inovação dos seus derivados, em Oliveira do Hospital, região terrivelmente afetada pelos incêndios de há uma semana. O Nuno e a sua família viveram este drama por dentro, com amigos e família em perigo, assistiram à tragédia naquelas duras hora…





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