Ravensbrück. Situado a 90 km a norte de
Berlim, assim ficou conhecido o campo de concentração exclusivamente para
mulheres, tantas décadas na sombra da Cortina de Ferro, esquecido e silenciado
por tantos. Entre milhares que pereceram à mercê do regime nazi, para lá
daqueles portões e muros, passaram 130 mil mulheres. Sarah Helm decidiu mostrar
ao mundo os horrores e a história nunca antes contada. «Se isto é uma mulher» -
numa referência ao famoso livro de Primo Levi nos martírios de Auschwitz – está
disponível em Portugal pela Editorial Presença. Tinha-o na prateleira desde o
meu último aniversário, oferecido pelo meu irmão, João Clara.
Todos os dias olhava para ele numa simbiose de vontades e recusas permanentes.
Ao longo de mais de 700 páginas, enquanto mulher, revivi, durante três duras
semanas de leitura, sobretudo noturna, um terror que até hoje nunca tinha
sentido, mesmo lembrando-me de tudo o que já li sobre Auschwitz, Treblinka ou
Dachau. Um horror perpetuado contra as mulheres. Tal como disse Sara, «ignorar
Ravensbrück não é só ignorar a história dos campos de concentração, é também
ignorar a história das mulheres». É por isso que vos digo, recusem, recusem
sempre que preciso for. Em liberdade e consciência.
Há
uma semana, quando a minha crónica na Antena Livre estava no ar, ainda não
havia noção da tragédia dos incêndios desse fim de semana.
Depois, bem, depois, todos sabemos que números nos bateram à porta.
Não vou falar do que aconteceu, nem ajuizar as atitudes políticas. Tudo isso já foi falado, escrito, debatido, de uma forma tóxica até pela sociedade portuguesa.
Quero antes dar-vos o testemunho de alguém que assistiu, in loco, à recuperação, à reconstrução, ao caminho do futuro. Porque é disso que se trata imediatamente após tamanha tragédia. Vivi-o na pele em Agosto com a minha família e assisti de novo ao reerguer de gentes que merecem tudo.
Quero falar-vos de Nuno Pereira, fundador da Lusoberry, empresa que se dedica à produção de mirtilos e inovação dos seus derivados, em Oliveira do Hospital, região terrivelmente afetada pelos incêndios de há uma semana. O Nuno e a sua família viveram este drama por dentro, com amigos e família em perigo, assistiram à tragédia naquelas duras hora…
Depois, bem, depois, todos sabemos que números nos bateram à porta.
Não vou falar do que aconteceu, nem ajuizar as atitudes políticas. Tudo isso já foi falado, escrito, debatido, de uma forma tóxica até pela sociedade portuguesa.
Quero antes dar-vos o testemunho de alguém que assistiu, in loco, à recuperação, à reconstrução, ao caminho do futuro. Porque é disso que se trata imediatamente após tamanha tragédia. Vivi-o na pele em Agosto com a minha família e assisti de novo ao reerguer de gentes que merecem tudo.
Quero falar-vos de Nuno Pereira, fundador da Lusoberry, empresa que se dedica à produção de mirtilos e inovação dos seus derivados, em Oliveira do Hospital, região terrivelmente afetada pelos incêndios de há uma semana. O Nuno e a sua família viveram este drama por dentro, com amigos e família em perigo, assistiram à tragédia naquelas duras hora…

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