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Com amor, dedicado a todos os abrantinos.

Créditos: Município de Abrantes

Abrantina de berço, de coração e de uma vida, assisti, de longe, mas com muito orgulho, às celebrações do centenário da cidade que me viu nascer. Para os que estão longe do berço, o sentimento que nos invade é algo, muitas vezes, inexplicável. Partimos pelas mais variadas razões, mas nunca abandonamos a terra de que fazemos parte. Assim é a ligação que me une a Abrantes e estou certa que todos os partiram sentem exatamente o mesmo que eu. Foi por isso com emoção que assisti às celebrações oficiais do dia Do Centenário, 14 de junho, e que celebrou o aniversário da elevação de Abrantes a cidade. Não foi apenas a marcante intervenção do atual presidente da República que fez deste um momento único. Foram também as justas homenagens aos que, no passado, nunca desistiram perante as dificuldades e lutaram por valores maiores da democracia e em prol do poder local. Em 2016 Abrantes, cidade centenária, mostrou que é também do presente e do futuro que se constroem caminhos de sucesso, é com a sociedade civil que é possível seguir em frente e fazer do concelho um lugar bom para viver e trabalhar. Destaco ainda um dos momentos altos das celebrações porque considero que pode e deve ser um dos muitos fatores impulsionadores não só da cultura como da economia local. Falo do concerto que encerrou as Festas da Cidade no castelo de Abrantes. Além de todo o ambiente cénico que o lugar proporciona este é um bom exemplo do que se pode e deve fazer sempre: devolver o castelo à cidade e aos abrantinos. Temos das fortalezas mais belas país, recuperado, e em condições únicas para ser ele próprio motor de desenvolvimento. Assim o queira a cidade. Assim o queira os abrantinos. Por fim, quero deixar uma palavra a todos os que estiveram direta e indiretamente envolvidos nestas celebrações. Parabéns a todos pelo magnífico momento que conseguiram. Que os próximos 100 anos sejam ainda melhores. Eu cá estarei, mesmo que longe, a sentir-me a abrantina mais orgulhosa do mundo. Porque sem vocês, os que ficaram, nada disto seria possível.

*Crónica de 20 de junho na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

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