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Emanuel e Ronaldo. Dois destinos. A mesma essência.

O país das redes sociais é tóxico. É injusto. E com imensa falta de racionalidade. Ainda não consegui compreender o real impacto que Facebook e Twitter estão a fazer às sociedades.


Por tudo e nada se insulta. Situações secundárias dão azo a faltas de respeito a torto e a direito. Criticar é palavra de ordem, muitas vezes apenas e só porque a maioria – que cria uma moda – o faz.

Serve isto para falar da tão badalada escultura de Cristiano Ronaldo no aeroporto que agora lhe dá nome.

A maioria vê-o com escárnio, não hesitando em destruir o homem que a trabalhou, não parando um minuto sequer para respeitar o trabalho alheio. O importante é desfazer, é criticar, maldizer.

O autor não é um monstro. Tem carne e osso e vem do povo. Sim, do povo, essa classe social que tanto constitui os Estados-Nação e que tão maltratada sempre foi ao longo dos séculos e civilizações.

O autor chama-se Emanuel Santos e é autodidata, propondo-se a fazer o projeto quando soube que o aeroporto da Madeira ia mudar para o nome de CR7. A direção do aeroporto aceitou e mandou avançar a obra. Cristiano não se opôs, ajudou até à distância, a melhorar o trabalho.

Emanuel Santos está desempregado desde o início de 2017, tendo dito à Renascença que, por essa razão também, tem tido mais disponibilidade para se dedicar à arte de que tanto gosta.


E é de gostar que se fala. Todos temos o direito de gostar. Ou de odiar. Mas daí ao gozo e humilhação vai uma grande distância. No que toca às redes sociais, estamos conversados.

Sim, a escultura não é perfeita. Mas há alguma coisa ou alguém perfeito no Mundo? E o mais importante, digo eu, é o que se dá, a paixão com que nos entregamos, a honestidade com que o fazemos. E isso tanto Emanuel como Cristino, filhos da ilha, partilham o mesmo gene, a mesma humildade de quem sabe o que custa trilhar o caminho recheado de espinhos. E só isso, e apenas isso, basta para termos mais respeito pelo outro.

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