Magina da Silva: órfão de um vazio de competência

Foto: Paulo Jorge Magalhães (O Minho). 
Os casos sucedem-se há meses e meses. E a corda, sabemos bem, parte sempre para o lado mais fraco. 

Os vários episódios que têm manchado as forças de segurança, fruto, a maioria das vezes, de más decisões políticas, não cabem numa mão. Hoje um, para a semana outro, no mês seguinte, outro. 

Eduardo Cabrita já provou que não é o ministro certo para liderar a Administração Interna. Já mostrou que não conhece as instituições e não as sabe liderar, nem estar lá para as suas necessidades. Continua ministro por um capricho do primeiro-ministro. Mantém-se de pé, mas há muito que as raízes apodreceram. E com elas ardem forças de segurança, que, incapazes de serem elas próprias, resistem agora enquanto reféns de um ministro que apenas destrói e corrói. 

Os últimos acontecimentos em Lisboa, no contexto dos festejos do título nacional de futebol, colocam a nu a podridão que reina no MAI. 

O Diretor Nacional da PSP, cuja competência para mim é clara (há muitos anos), cansou-se. E, sem medos, destapou a verdade que não podia mais permanecer silenciosa. Neste caso em particular, foram tão pormenorizados os acontecimentos, que ainda mais irritante se torna. Não chega para a queda do ministro fantasma e intocável deste Governo.   

Também todos sabemos o que acontecerá a Magina da Silva mais cedo ou mais tarde. O seu afastamento será, tristemente, inevitável, porque neste quadro, não há lugar para um ministro incompetente que permanece no cargo com confiança política reiterada, nem para um Diretor Nacional da PSP sozinho, sem qualquer apoio político da tutela que o lidera. E pior que isso: que incomoda permanentemente sem medos. 

Mais uma vez, vencem os caciques partidários, as promessas de partido, os interesses amigos e as teias de poder que infetam os governos. Um país inteiro a ver um ministro incompetente a destruir instituições e um primeiro-ministro que leva a sua avante e assina por baixo essa incompetência. 

Não sabemos a verdadeira razão por que, tantos e tão graves casos depois, António Costa insiste em manter Eduardo Cabrita. Só ele o sabe, só ele o vê, tornando-se já dolorosamente ridícula a sua defesa em público. Mas uma coisa eu sei: mais uma vez vencerá a incompetência política. Mais uma vez se perdem oportunidades para injetar caminhos novos e necessários às forças de segurança. Como sempre, rolarão cabeças. Como sempre, as que deviam ficar. Como sempre, os elos mais fracos. Diz que é a democracia e a fatura da liberdade partidária que nos governa. Diz que é.

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