Ljubomir Stanisic: a vida não se resume a uma estrela Michelin

O 100 Maneiras perdeu a estrela Michelin que conquistou em 2020. Em Portugal quando se perde algo, parece que cai o mundo. Não cai. E se há coisa que Ljubomir Stanisic não precisa é de má imprensa. 

Foto: Facebook Ljubomir Stanisic


Não escondo que é um dos meus chefes preferidos, talvez pelas mesmas razões com que, a par de Anthony Bourdain, me conquistou. É um poema constante. De extremos. Sem meio termo. Direto. Sem merdas. No que pensa. No que diz. No que faz. Mesmo que isso lhe custe alguns inimigos. Um verdadeiro conto em forma de gente. Depois, bem, depois, é uma sinfonia perfeita na forma como nos fala da comida, dos alimentos, e da sua história enquanto chef. A sua história de vida é pública. Única e terrivelmente perturbadora. O que fez com isso? Fez caminho. Lutou. Nunca desistiu. Sem nunca abandonar quem é e as raízes que o alimentam até ao fim. Esse é o seu maior legado e também o que o distingue. O 100 Maneiras vai continuar a ser o prolongamento da qualidade do seu mentor. Não é a perda de uma estrela Michelin que muda aquilo que somos, muito menos o prestígio que conquistou e se prova todos os dias. O resto é só ruído. Nada mais do que isso. Longa vida ao 100 Maneiras. E aí de cima, Anthony, tchim tchim ao tilintar dos talheres, dos copos, dos sons de um belo jantar à moda antiga. Sei que os bons continuam a ser a sinfonia perfeita no prolongamento daquilo em que tocamos. Em todas as vidas do firmamento. 

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