40 anos depois, os portugueses vão eleger um Presidente da República numa segunda volta. A 8 de fevereiro, a decisão do povo é entre dois homens que representam posicionamentos ideológicos diferentes. É entre dois candidatos que, legítima e democraticamente, foram eleitos nas urnas para este segundo round.
Serve este preâmbulo para lembrar que a discussão pública que se gerou desde o dia 18 de janeiro em Portugal, com ênfase nas televisões, imprensa e redes sociais, me tem incomodado. Colocar a questão entre democratas e não democratas é, apenas e só, o oposto daquilo que representa a democracia. Lutar pelas ideias que defendemos, respeitando todos os lados opostos, é condição maior do sistema que saiu de 1974. Por mais que um candidato represente tudo aquilo de que discordamos, não é tentando amordaçar ou limitar a sua ação que o podemos impedir de chegar a Belém. É-o sim pelos valores, pela ética e pela forma diferente com que cada um se posiciona.
Estamos a praticamente duas semanas das eleições. Cada candidato fará o seu caminho, as suas escolhas e decidirá como e de que modo pretende chegar, de novo, ao eleitorado. E os portugueses decidirão, de forma livre, e individual. Ou pelo menos, assim espero, ainda que saiba que a toxicidade que lavra por esse mundo digital bem como a desinformação irão reinar, quiçá, de forma ainda mais intensa.
Aconteça o que acontecer, somos nós, cada um, os donos do nosso voto. Sem interferências. E será a nossa escolha o fruto das nossas convicções e decisões. E é porque acredito que cada português sabe o que quer em cada momento, que desejo que impere a ponderação, a reflexão e a capacidade de decisão sem ruído.
Votar não é apenas um direito, é, em meu entender, também um dever. E para os indecisos e os abstencionistas de longa duração, deixo apenas um guião: o vosso voto é importante, todos o são. E por mais desiludidos que possam estar com o vosso País e os seus responsáveis políticos, não deixem nas mãos de outros, o vosso próprio destino.
Até lá, boa campanha a todos e que a Democracia se cumpra!
Podcast de 26 de janeiro de 2026 na Antena Livre. OUVIR.

Comentários