Habitação: a crise das nossas vidas

Dizem as fontes bem informadas das revistas cor-de-rosa que George Clooney e a mulher, Amal Clooney, são as mais recentes estrelas internacionais a escolherem Portugal para comprar casa, no caso, um apartamento de luxo em Lisboa, mais concretamente num dos condomínios mais caros da capital. 



Não temos nada contra, pelo contrário, sabemos bem que a lei do mercado assim dita, e a oferta e a procura têm regras, normalmente compreensíveis para o comum mortal. Mas, num tempo, em que a crise da habitação no nosso País começa a chegar a níveis insustentáveis e sem sinais de abrandamento (pelo contrário, o preço das casas vai continuar a subir, segundo os especialistas), a verdade é que quem tem capital, nunca verá nesta crise um problema. 

A subida do preço dos imóveis obriga à contratação de empréstimos mais elevados, o que contribui para o crescimento da atividade comercial. E o mercado, para quem pode comprar uma casa, nunca foi, pois claro, tão apetecível. 

Num País em que a classe média tem em cima das suas cabeças uma das crises mais difíceis de que há memória, perceber que o dinamismo apenas serve os ricos e os que mais podem, é de facto de uma impotência atroz. Que corra bem à família Clooney e a todos os outros que têm escolhido Portugal para viver, mas se calhar era bom pensar que se os portugueses não tiverem como enfrentar este problema, um dia, em certos lugares, por circunstâncias próprias, pode muito bem deixar de haver (algum) País. 

Resta saber quem por cá ficará e que mão-de-obra teremos para manter de pé a Nação, de forma consistente, e contribuindo para um Portugal mais coeso e igual.

Podcast/Crónica de 28 de setembro de 2026 na Antena Livre. OUVIR.

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