Não vi o filme quando saiu nos cinemas. Só este fim de semana pude comprovar a excelente produção que nos volta a mostrar o horror do século XX e de como um regime transformou a sociedade e a mente humana. ‘Nuremberga’, de 2025, é uma obra-prima do cinema, com Russell Crowe a interpretar um demoníaco Göring, figura negra e fulcral do regime nazi.
A história conta-se fácil, mas não deixa de ser perturbadora, e ao mesmo tempo essencial para perceber a mente de um homem que nunca entendeu o contributo que deu a uma das maiores barbáries da Humanidade.
Nos meses que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial, o psiquiatra norte-americano Douglas Kelley (1912-1958) foi incumbido de avaliar a sanidade dos principais criminosos de guerra nazis julgados pelo Tribunal Militar Internacional, nos chamados Julgamentos de Nuremberga.
Entre os acusados, o oficial de mais elevada patente era Hermann Göring (1893-1940), um homem carismático e manipulador, determinado a evitar a condenação. Apesar da inteligência de Göring, Kelley manteve o profissionalismo, sempre muito consciente do perigo de ser influenciado pelo prisioneiro e da necessidade de manter o distanciamento necessário para uma avaliação o mais rigorosa possível.
Após extensas entrevistas e testes psicológicos detalhados para avaliar a sua responsabilidade criminal, Göring foi considerado mentalmente apto para julgamento. Condenado à morte pelo seu papel no Holocausto, suicidou-se com uma cápsula de cianeto na noite anterior à execução.
Depois desta experiência marcante, Douglas Kelley continuou
a trabalhar nas áreas de psiquiatria e criminologia, mas enfrentou problemas
pessoais graves que culminaram no seu suicídio a 1 de janeiro de 1958, usando o
mesmo método de Göring.
Com argumento, realização e produção de James Vanderbilt, o filme conta com as interpretações de Rami Malek, Russell Crowe, Leo Woodall, John Slattery, Mark O'Brien, Colin Hanks, Richard E. Grant e Michael Shannon.
Quem não viu, vale a pena, sobretudo para nos reencontrarmos de novo com fantasmas que têm de ser enterrados, mas não esquecidos.

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