Algures em setembro passado, junto de uma Universidade de renome deste País, em Lisboa, assistimos a uma conversa de jovens universitários. Ao fim de meia hora, em que a conversa rolava num tom demasiado elevado para permanecer discreto, o grupo, de quatro rapazes, expunha-se em público, sem qualquer pudor nem receio das opiniões alheias.
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| Crédito da Foto: unsplash (uso gratuito) |
Bem sabemos que não se escolhe o berço onde nascemos. Mas escolhemos quem queremos ser. Cedo se percebeu que estes jovens, numa das fases mais importantes das suas vidas, emergem de famílias de classe alta, em que os papás, felizmente, lhes podem dar tudo. E ainda bem. Mas o que eles fazem com isso é que custa a acreditar.
Festas diárias (na primeira semana de aulas) até amanhecer, fins de semana na Comporta (a mais recente intitulada região dos ricos em Portugal), compra de telemóveis que ascendem aos dois mil euros, combinações para faltar às aulas teóricas do primeiro semestre, e no meio de tanta luxúria em tempos académicos, eis que um deles se sai com esta: “eu quero ser controlador aéreo, é a profissão mais bem paga em Portugal, já falei com o meu pai e ele consegue ‘meter-me’ lá”. Responde um dos amigos: “é isso, ‘brother’, o teu pai sempre foi um “corrupto do caraças” e em Portugal só assim conseguimos chegar onde queremos”.
Se o espanto de quem ouvia a conversa já era imenso por vida académica tão perfeita, imaginem quando chegou às cunhas que lavram no seio da alta roda da sociedade portuguesa em 2026.
Sabemos todos quão difícil é para a maioria das famílias portuguesas colocar os seus filhos na Universidade, quantos não desistem por falta de condições económicas, comprometendo, assim, o seu futuro profissional. E eis que surge a pergunta que impera: querem continuar a falar do elevador social?

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