O Passe Ferroviário Verde nasceu com uma promessa ambiciosa por parte do Governo: aliviar o impacto da crise dos combustíveis, incentivar o recurso ao comboio e tornar a mobilidade mais acessível, num tempo em que o orçamento das famílias portuguesas está cada vez mais curto.

Crédito da Foto: Magnific (uso gratuito)
A ideia é boa, mas parece descarrilada. O problema reside na forma como está a ser concretizada. São muitas (e cada vez mais) as queixas, sobretudo desde a extensão do Passe às linhas urbanas de Lisboa e do Porto, ocorrida no passado mês de Setembro. Multiplicam-se as reclamações de passageiros confrontados com dificuldades na reserva de lugares, comboios sem disponibilidade e um sistema que nem sempre responde às necessidades.
Para quem compra o Passe, a expectativa é simples: poder viajar e chegar ao destino a horas. Mas, quando o acesso ao serviço está condicionado pela falta de lugares ou pelas limitações da reserva (no caso do Intercidades), a poupança pode transformar-se numa corrida por um lugar que, nem sempre está disponível, se avaliarmos algumas queixas registadas no site da DECO.
O paradoxo é evidente. O Estado incentiva os cidadãos a deixarem o carro em casa, mas a resposta ferroviária nem sempre tem capacidade para absorver a enorme procura. Não basta criar um passe mais barato. É preciso garantir que existem comboios, horários e lugares suficientes para que a alternativa seja, de facto, viável.
Combater a crise dos combustíveis exige mais do que medidas de emergência: exige uma política de mobilidade coerente. O Passe Ferroviário Verde pode ser uma ferramenta importante, mas não pode ser só uma boa intenção. Já que de “de boas intenções” está mesmo “o Inferno cheio”!
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