Carlos Pinto Coelho: carta de saudade a um Homem irrepetível

Este sábado, 18 de abril, cumpre-se a vida. Se estivesse por cá completaria 82 anos. Quis o destino que assim não fosse. E há quase 16 anos que aprendo a viver sem aquela chamada diária, de um Mestre que nunca perde de vista a sua cria. 



Ensinou-me que falhamos quando vencemos. Que conquistamos quando perdemos. Aprendi com ele que a vida será sempre um jogo de luz e sombras, com sentidos, uns inversos, outros labirínticos. Outros até com frases incompletas. É essa a essência de nós, matéria, desde o primeiro momento até ao último sopro.

Neste 18 de abril saudoso, refletem-se em mim as cores de sempre. As gargalhadas de todas as eternidades. Os sonhos de todas as horas. 16 anos sem ti. Tortuosos. É demasiado tempo para construir um universo de saudade. E tempo a menos que não pude ter. Sempre contigo omnipresente. Nas manhãs mais coloridas, nas tardes tempestuosas, nas noites de decisões, nos meses e anos mais negros e nos mais desafiantes também. A luz que me deixaste continua a ser o farol da minha viagem. É o ponto que me orienta em cada travessia. Lá longe, no infinito do nosso abraço, haverá sempre desassossego, a voz do Mestre, do Amigo, que sussurra para matar a saudade. A mesma que me sopra ao ouvido desde o dia em que nos tornámos pele e sangue. A mesma que me mantém serena depois da tempestade que te transportou para outra galáxia. 

Esta é uma carta de saudade eterna a um Homem irrepetível e de luz! A um Homem a quem o Jornalismo português muito deve. E que, na espuma dos dias que correm, tanta falta faz nas balizas éticas e morais que esta profissão impõe. Onde quer que estejas, querido Carlos, o Céu continuará a ser o destino por cumprir e o sonho que carregamos para todas as Eternidades! 

📰 [Carlos Pinto Coelho: 18 de Abril de 1944 - 15 de Dezembro de 2010]. 16 anos sem ti, a vida inteira contigo.

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