O Governo nomeou recentemente Macário Correia, ex-secretário de Estado do Ambiente, para liderar a empresa Aqua SA, que vai gerir e executar os projetos da estratégia ‘Água que Une’ (com mais de 1.500 milhões de euros a serem executados atualmente).
Não está em causa a pessoa, o seu valor profissional e muito menos o que pode dar, em termos técnicos, ao projeto tido como estruturante. O que está à vista, mais uma vez, é a tendência do Centrão em nomear “os amigos de sempre”, numa espécie de renovação (geracional) que teima em não acontecer.
E mais. O Primeiro-Ministro, quando anunciou o nome de Macário Correia, comparou a aposta da estratégia ‘Água que Une’ com a visão do antigo Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva, quando este avançou para a construção da barragem do Alqueva, no Alentejo. O “Cavaquismo” tem em Portugal muita “má memória”, por razões diversas.
Além disso, a ‘Água que Une’, projeto hídrico estruturante anunciado por este Governo, tem tudo menos boa impressão, já que pelo menos há um ano que não sai do papel. Uma coisa é certa, a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, é das poucas que pode dar o “empurrão” que falta a esta reforma que é essencial para a resiliência hídrica do País.
Resta saber se conseguirá contornar as escolhas de Montenegro na estratégia político-partidária que caracteriza o Centrão há 50 anos. Irá ‘desunir’ mais do que unir? O tempo o dirá!
Nota: Podcast de 18 de maio de 2026, na Antena Livre. OUVIR.

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