Reality Shows: laboratórios de experiências destruidoras

Há muito que se constrói, em televisão, uma realidade que não existe. Programas como ‘A Casa dos Segredos’, na TVI, ou ‘Casados à primeira vista’, na SIC, são o exemplo maior do fim da esperança na Humanidade e na Humanização. 



Apesar de entreterem o público e um País que, por vezes, precisa de catarses para esquecer a sua realidade, estes programas mais não são do que laboratórios de experiências onde o que mais importa são audiências e números. 

Quem aceita participar, coloca-se em níveis surreais de exposição. A edição de ‘A Casa dos Segredos’ expôs essa realidade com a situação de um jovem casal que deu circo ao País, devido a uma traição que por lá aconteceu. 

O mais preocupante é que falamos de jovens, de miúdos, que buscam uma notoriedade rápida e que os leva a precipícios que não deviam existir para quem está a começar uma vida.

Aceitam “vender a alma” por umas semanas em televisão. Não percebem que estão a criar, gratuitamente, um problema ao seu futuro. O programa ‘Casados à Primeira Vista’ padece do mesmo mal, porém, aqui falamos de pessoas com mais maturidade e que buscam igualmente algo por um preço muito elevado. Valerá a pena esta destruição? A troco de quê?

Uma coisa é certa: estes formatos, ancorados na exploração humana, vendem. E o público consome. Precisamos todos de um balde de Humanização ou estaremos todos, enquanto sociedade, no fim da linha? A resposta está dentro de cada um de nós mas, sobretudo, dentro de cada uma daquelas pessoas que aceita um minuto de fama, talvez pelo resto da sua vida.

Nota: Podcast de 4 de maio de 2026, na Antena Livre. OUVIR

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