3,2 milhões de pessoas no Irão e mais de 1 milhão de pessoas no Líbano vivem deslocadas

A recente escalada militar no Médio Oriente, que afeta vários países de toda a região, incluindo territórios já muito afetados por crises humanitárias como o Irão, Afeganistão, Líbano ou Síria, tem estado a provocar intensos movimentos populacionais, salienta a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR). 

Mais de 4,2 milhões de pessoas vivem deslocadas no Irão e Líbano devido aos recentes conflitos no Médio Oriente. ©UNHCR

Segundo a República Islâmica do Irão, estima-se que entre 600 mil e um milhão de famílias tenham sido forçadas a abandonar temporariamente as suas residências devido ao conflito, num total de cerca de 3,2 milhões de pessoas deslocadas internamente no país. Um dos maiores movimentos de deslocação interna no Irão nas últimas décadas a que se somam os mais de 1,65 milhões de pessoas refugiadas – maioritariamente provenientes do Afeganistão – que se encontram acolhidas neste país e que necessitam de assistência humanitária urgente.

 “Os relatos que nos chegam dos colegas do ACNUR no terreno retratam um cenário bastante dramático, com as pessoas refugiadas e as comunidades de acolhimento no Irão a enfrentarem preocupações extremas com a sua segurança, perda de emprego, sofrimento psicológico e necessidades urgentes de alojamento”, conta Soraya Ventura, Diretora Nacional da Portugal com ACNUR. E revela também que “o conflito em curso e os frequentes ataques aéreos estão a dificultar a circulação e o acesso aos serviços humanitários”. 

No Líbano, a situação é igualmente trágica. Os dados mais recentes do ACNUR revelam que um quinto da população do Líbano encontra-se atualmente deslocada, com mais de 1 milhão de pessoas a serem obrigadas a fugir dos ataques israelitas num espaço de menos de seis semanas. A Diretora da Portugal com ACNUR relata também alguns dos testemunhos devastadores que foram chegando do terreno através das equipas no país: “uma destruição imensa, grande sofrimento humano, vidas destroçadas, famílias inteiras desprotegidas e comunidades levadas ao limite”. “As necessidades aumentam de dia para dia e é preciso agir com urgência para proteger civis inocentes, prestar assistência vital e impedir que a situação se agrave ainda mais, levando a uma verdadeira catástrofe humanitária”, apela. 

O Afeganistão e a Síria têm sido outros dois países desta região fortemente afetados por este escalar da violência no Médio Oriente, com o retornar de centenas de milhares de pessoas que se encontravam deslocadas nestes países em conflito. Desde o início desta crise, cerca de 269 mil sírios e 226 mil afegãos regressaram aos seus países de origem, sendo que entre eles alguns já planeavam regressar, enquanto outros viram-se obrigados a fazê-lo devido às atuais condições. Além de que, a Síria tem estado ainda a receber cerca de 50 mil pessoas refugiadas provenientes do Líbano. 

Ataques israelitas no Líbano fazem mais de 1 milhão de deslocados e causam uma destruição imensa. ©UNHCR/Houssam Hariri

Financiamento urgente é necessário para dar resposta a mais de 123 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo 

Num contexto mundial cada vez mais adverso, onde os conflitos prosperam e as necessidades humanitárias não param de aumentar, com mais de 123 milhões de pessoas já deslocadas à força e com a estimativa de que este número possa crescer para os 140 milhões até ao final do ano, qualquer tipo de donativo e gesto solidário fará a diferença e terá um impacto real na vida das pessoas apoiadas pelo ACNUR.  

“Todos os dias, nas nossas televisões e nas redes sociais, vemos imagens de novos bombardeamentos e pessoas obrigadas a fugir e a deixar tudo para trás no Líbano, no Irão, na Ucrânia ou no Afeganistão, por exemplo. Vemos a fome e as alterações climáticas a deixarem marcas profundas nas comunidades de países como o Sudão, Moçambique, o Chade ou a Etiópia. São precisamente estas pessoas que podem ser ajudadas com a consignação do seu IRS”, relembra Soraya Ventura. 

Este apelo feito pela Fundação parceira nacional da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) surge a propósito da sua campanha para a consignação de 1% do IRS em 2026 com o mote “Só precisamos do seu X”. “Para o contribuinte, trata-se apenas de colocar um X durante o preenchimento da sua declaração anual de IRS. É simples, não tem custos, mas para mais de 123 milhões de pessoas este X traduz-se, por exemplo, em água potável, alimentação para famílias inteiras ou até a garantia de acesso à educação para as crianças”, realça Soraya Ventura. A consignação do IRS representa, muitas vezes, uma significativa fatia do orçamento anual de uma instituição de missão social como o ACNUR. 

Para o contribuinte individual ou empresas que queiram consignar 1% do seu IRS à Fundação parceira nacional do ACNUR, basta selecionar a “Portugal com ACNUR – Fundação” na lista de entidades elegíveis durante o período de entrega da declaração de IRS, entre o dia 1 de abril e 30 de junho. Pode fazê-lo através do preenchimento da declaração de IRS Automático, na área “Pré liquidação”, ou, no caso da declaração de rendimentos Modelo 3, a consignação realiza-se no quadro 11 da folha de rosto, no campo 1101, onde terá apenas de colocar o NIF 516 420 666 da Portugal com ACNUR.

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