Ponto prévio: sou a favor de greves. Todas. Sem exceção. Porém, o que não posso ser a favor é de colar uma greve geral a um feriado, com possibilidade de uma ponte e com o fim de semana à porta.

Crédito da Foto: Magnific (uso gratuito)
E as razões são simples e as de sempre: o descrédito do direito à greve, ficando sempre no ar a ideia de se obter uma vantagem pessoal através do direito à greve.
Hoje, muitos farão greve, mas ficarão todos em casa, ou, pelo contrário, irão gozar o dia na praia, a passear ou a tratar da vidinha?
Eu pergunto onde está o respeito pelo direito que a Constituição nos faculta de sermos sérios quando optamos por fazer greve. Na verdade, neste tema funciona, ainda que injustamente, aquele ditado “faz o que eu digo e não o que eu faço”, e socialmente a ideia que passa é sempre a de que em Portugal fazer greve tem dias marcados, sempre colada a datas que “dão jeito”. Isto é cultural e ou se elimina progressivamente dos comportamentos sociais ou então não, e seremos assim para sempre, enquanto Povo.
Uma greve geral como a desta quarta-feira tem custos, os economistas estimam-nos em 200 milhões de euros, com o primeiro impacto a fazer-se sentir do lado do consumo e depois da produção. É certo que são custos que todos entendemos, mas assumi-los de forma séria é, na minha opinião, o primeiro passo para legitimar o direito à greve, que é intocável.
Em Portugal sinto que cada vez mais não se leva a sério este direito, sendo cada vez mais utilizado como arma de “aproveitamento pessoal”. É neste ponto que me indigno. Porque isso não dignifica nem o direito do trabalho e muito menos o valor dos trabalhadores, a par das suas lutas e causas, que cada vez mais são atacadas pela rigidez dos códigos laborais. E precisam, como nunca, de serem combatidas!
Aos que fazem greve hoje com total sentido de responsabilidade, uma vénia. Aos outros, um cartão vermelho, porque contribuem para fragilizar uma conquista que é da Humanidade!
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