Esta é uma história de amor. Com Portugal. Para a autora deste blogue é, há 30 anos, uma filosofia de vida. Uma história de amor incondicional de dois sentidos. Porque o puro rock não morreu e continua a marcar gerações inteiras, para lá da linha do universo que separa dimensões. Porque, ao contrário do que muitos vaticinam, os "crentes do rock" resistem e continuam de pé como as árvores centenárias. E morrem como elas, inteiras e intactas. Amanhã, escrever-se-á mais uma viagem a um mundo que apenas é compreendido por aqueles que o escrevem!
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| Crédito da Foto: Loud! |
Do convento do Beato - quando gravaram o 'Acoustica', em 2001 - até aos infinitos palcos da capital portuguesa, passando por míticas arenas europeias, são muitos os rochedos inscritos na estória que se conta por este blogue há muitos anos.
Esta quarta-feira, 8 de julho de 2026, em Lisboa, não será o capítulo final, é apenas mais um parágrafo de um livro inacabado.
Esta história de amor entre Portugal e os Scorpions já conta muitas teias de aranha, mas, uma das mais consagradas bandas de sempre da segunda metade do século XX - goste-se ou não -, inscreveram na lista o nr.º 30. A família e os amigos chamam-me louca, eu chamo-lhe amor, prazer, felicidade. E quando buscamos tudo isso em cada dia presente da nossa vida, está tudo certo.
Em 60 anos de palcos, os Scorpions, de Klaus Meine, Matthias Jabs e Rudolf Schenker, são, pese embora o peso dos anos, uma chama de rock. Puro rock e as baladas pelas quais muitos, na década de 80, se agarraram. Mesmo velhinhos, há naturalidade, ao nível dos bons, escorreitos e profissionais. E talvez isso explique porque continuam a arrastar multidões seis décadas depois.
A banda que se juntou pela primeira vez, em 1965, tem na longevidade e, consequentemente, na idade, a sua maior força.
Se muito se discutiu, no seio da própria banda, o final do grupo na última década, e muitos de nós tem dúvidas se não deviam encontrar o merecido descanso, a verdade é que os 60 anos carreira estavam escritos, tal como nos 50 relançaram a vitalidade que precisam ainda que já não seja a mesma coisa.
É difícil para mim falar deles. Eu, que nasci em 1981, nem devia, pela lógica, ser herdeira de um produto musical que não me pertence por legado geracional.
Mas não quis assim o destino, que atravessou com eles o caminho até hoje. E aos 44 anos, com 30 concertos na bagagem, e mesmo a soprar as 78 velas de Klaus (Meine), continuam irrepreensíveis na execução, na escolha dos alinhamentos, sejam mais roqueiros ou evidenciem as eternas baladas.
Nesta tour 2026, «Coming Home», que assinala os 60 anos continuam a não faltar acrobacias de puro rock com as guitarras afinadas e as famosas declarações de amor de Klaus Meine ao seu público. Amanhã, sei, que também não faltarão ao público português, um dos que mais lhes deu neste mais de meio século de rock.
A legião de fãs portuguesa, essa, será eterna, mas mais certo que isso, é que, com os velhinhos Scorpions, o rock'n'roll será sempre imparável.
Em 2011, neste blogue preconizava a tão indesejável Rota do Adeus antes de um concerto enérgico em Lisboa. Em 2024 e 2025 (Rock in Rio Lisboa e Porto respetivamente), e dezenas de concertos depois, vinha novamente
a sensação plena de que era sempre o último encontro com os magníficos de
Hannover. Não foi. Não sei se será. Sei apenas que nunca será um adeus, será
sempre, apenas e só, um até já!
A vida leva-nos a várias gavetas, a várias fases, umas boas,
outras nem tanto. Nesse caminho, acompanharam-me sempre e apesar de eles não
saberem, foram sempre o aconchego do caminho, aquela força extra que empurra.
Amanhã não será diferente. E eu lá estarei, na primeira fila, para os ovacionar
de pé e com o mesmo amor que há 30 anos carrego comigo. Até já, rapazes!

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