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A luta da imprensa escrita.

Esta semana quero falar de boas notícias. Num país que precisa, como nunca, de empreendedorismo e inovação, é com muito orgulho que vi nascer esta sexta-feira um novo jornal no país. Falo do Jornal Económico que estará nas bancas todas as sextas-feiras. A par deste irá nascer, em breve, um outro projeto, o ECO, uma plataforma digital também vocacionada para o jornalismo económico. Quando os média atravessam, há anos, dificuldades de negócio, há quem ainda acredite nas oportunidades e no jornalismo. Isto é tão ou mais importante não só para a classe como para aqueles que, por estes anos, apostam na sua formação. Foi nesta cidade que me fiz jornalista e esta é também uma crónica de incentivo a todos os alunos que frequentam o curso de Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Sim, o sonho é possível. Mas nunca esperando que as oportunidades vos caiam no colo. Sim, é possível, lutando, fazendo sacrifícios e suando pela profissão. Há anos que a imprensa portuguesa se debate com a falência dos modelos de gestão que escolheram para os seus títulos. Mas a internet, as redes sociais e novas exigências mudaram o panorama. A queda das receitas publicitárias fez o resto. Hoje, o Google e o Facebook, só para citar alguns, mostram aos velhos do restelo que ainda por cá moram, como se vende no mercado digital. Junte-se a isso o facto de os portugueses não comprarem jornais e estarem no fim da tabela nos índices de leitura europeia e percebemos todos por que razão a imprensa lavra numa crise profunda. Seja como for, é nos nichos que está também o segredo. O jornalismo setorial é uma das fatias do mercado para o qual muitos olham com desdém. Mas é também aquele onde se pode aprender mais e onde ainda há oportunidades de fazer o que de melhor sabemos. É por isso que olho com esperança para estes dois novos títulos. Se irá correr bem? É cedo para sabermos. Mas que vale a pena o investimento, disso, não tenho a menor dúvida.

*Crónica de 19 de setembro, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.


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