No primeiro fim de semana de setembro é um clássico da
política nacional marcar pontos no regresso à vida ativa. Os nossos queridos
políticos fazem-no à sua boa maneira e sempre com a mesma fórmula. Seja o PSD com a sua Universidade de Verão em Castelo de
Vide, o CDS com a sua escola de Quadros ou seja o PCP no palco maior do ano, a
Festa do Avante, que este ano celebrou 40 anos de existência. O país assiste a discursos iguais aos do ano anterior, com
críticas ao poder vigente, com as máximas do costume de que os outros fazem
sempre pior que nós. Chega a ser doentio, sobretudo porque os eleitores não são
estúpidos, ao contrário do que os políticos muitas vezes pensam. Ver Passos Coelho a atacar o PS por estar a destruir o país
e a aumentar as desigualdades é tão grave como ver Jerónimo de Sousa a
persistir na cegueira ideológica de um mundo que parou no tempo. Nos intervalos desta rentrée assistimos ao Governo a
constatar o esperado: que o crescimento económico e a riqueza do país está a
crescer a conta gotas. O povo português continua, assim, refém de novas esperanças que
os agentes políticos prometem e nunca trazem. Ano após ano apenas contamos com as guerras e guerrilhas
entre o Centrão. Da esquerda à direita continua sem haver um rasgo, um impulso,
uma fé desmedida no futuro. Da Troika que está lá longe por enquanto, já
ninguém se lembra, dos sacrifícios também não, já que a desaceleração de todos
os setores económicos, impulsionada pelo bloqueio de medidas mais austeras e
uns pós aqui e ali dados por António Costa, vai ajudando o país a prosseguir
rumo sem medos. Contudo, sabemos que o futuro não nos aponta um caminho
seguro nem de esperança. Sigamos pois, então, reféns de esperança e de incentivo, já
que a paralisia de uma sociedade é sempre boa para esquecer o lado mau do
problema. Uma nota final para dar conta de um drama que se assiste
neste país e com cada vez mais regularidade. Os casos recorrentes que têm vindo
a público sobre agentes de segurança linchados na praça pública por premirem o
gatilho em ações de roubo e assaltos violentos são, por demais,
incompreensíveis. Um agente da PSP ou militar da GNR, que no exercício da sua
profissão, mal paga e pouco reconhecida, atira contra aqueles que colocam em
causa a segurança pública, é cada vez mais visto como um criminoso. Os delinquentes, que levam os filhos para assaltos, esses,
saem das histórias como heróis e ainda são protegidos pelo sistema. Ou refletimos de uma vez por todas sobre isto ou o futuro da
nossa segurança e a confiança nas nossas polícias estarão cada vez mais minadas.
*Crónica desta segunda-feira, 5 de setembro, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

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