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Alterações climáticas: a dura batalha pela sobrevivência.

Pacífico Sul.

Na passada sexta-feira entrou em vigor o Acordo de Paris. É dele que hoje quero falar nesta antena.

Já chegamos a um ponto extremo. Ultrapassamos, enquanto sociedade coletiva, todas as barreiras perigosas. Estados, governos, empresas e cidadãos, todos temos culpa na destruição que provocamos a este canto onde vivemos.

Tínhamos a obrigação de deixar por cá um lugar melhor do que aquele que recebemos. Mas, como bons seres humanos que somos, fizemos precisamente o oposto.

Décadas e décadas de acordos e cimeiras ambientais falhadas, chegamos a 2016 e percebemos as consequências dos erros e omissões a que todos fechamos os olhos no passado. O Planeta não aguentou, o Planeta já está em gritos ferozes. E nós, sim, somos os principais culpados.

A entrada em vigor do Acordo de Paris abre caminho a mais negociações sobre o clima servindo ainda de incentivo a outros países no sentido de limitar o aquecimento global abaixo dos dois graus centígrados.

E o cenário é dramático. Só a China representa20% das emissões globais, e os EUA, 18. Ambas as potências ratificaram o Acordo no início de setembro e isso já é uma luz de esperança.
Sumatra, Indonésia.

Mais do que os esforços são necessários, a meu ver, é fundamental não esquecer um ponto importante e crucial, e que tem que ver com a ajuda financeira aos países do sul. Em 2009, os países ricos prometeram 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020, para ajudar as nações em desenvolvimento a financiar a transição para energias limpas e a adaptação aos efeitos do aquecimento, dos quais são as primeiras vítimas.

É por tudo isto que a batalha para repor o mal que fizemos por cá, começa em cada um de nós, nas nossas casas, nos gestos e comportamentos diários.

Seja na separação do lixo, seja em práticas mais sustentáveis de mobilidade, seja na alimentação, no ato de ligar ou desligar um aparelho ou um interruptor, seja na forma como reutilizamos os nossos recursos. Cada ação individual conta e conta muito, acreditem!

A juntar a tudo isto, esperamos que esta segunda-feira, em Marraquexe, na Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, que irá debater os progressos realizados desde a Cimeira de Paris, a esperança continue a ser possível para a Humanidade.

Em cima da mesa estará o Acordo de Paris, adotado na COP21 e em vigor desde sexta-feira, tendo como objetivo principal o seu cumprimento, adaptação, transparência e capacidade de minimizar os riscos inerentes.

Por fim, deixo uma sugestão aos nossos ouvintes. Recentemente passou na RTP um documentário sobre as alterações climáticas protagonizado pelo conhecido ator, Leonardo DiCaprio.
Argentina

Além da verdade que já sabíamos, mostrada em tantos outros documentários, este é um trabalho que nos fere a alma, que relata a dureza ambiental no mundo, desde as alterações climáticas à ganância desmedida de multinacionais por todo o mundo e onde o petróleo é ainda a fonte de todos os males.

O trabalho pode ser visto na internet na íntegra. Convido os ouvintes a vê-lo. Porque a nossa rua, a nossa cidade, o nosso país e o Mundo já estão em perigo e todos nós somos chamados a ajudar.

Ou fazemos já alguma coisa ou os nossos filhos e netos terão, pela frente, uma dura batalha pela sobrevivência.


*Crónica desta segunda-feira, 7 de novembro, na Antena Livre, 89.7, Abrantes. OUVIR.

Fotos: Before the Flood

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