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O drama é aceitar os factos. E os factos trazem uma puta implacável


Foto: Henrique Casinhas/Observador

Tenho-me contido por estes dias. Primeiro, porque não me apetece falar sobre o assunto. Digeri-lo já é por demais agoniante. 

Mas, à medida que vou lendo os jornais, vendo as televisões - rádio pouco tenho ouvido ultimamente - e lendo o que pelas redes sociais se publica, ganha força a convicção da única certeza que tenho: é que não me apetece falar mesmo. 

A tragédia que um país inteiro vive desde o passado sábado ainda é quase como uma miragem. Parece que não aconteceu. Só acredito porque depois de tantas imagens sucessivas, sem parar, tantos dias seguidos, caio em mim e me convenço disso. Infelizmente, todos - Governo, autoridades, famílias e sociedade civil - teremos de enfrentar os factos. 

E os factos resumem-se apenas a um: à morte. E com esta puta - perdoem-me a palavra, mas é só isso que lhe sei chamar - não há como lidar. Não há como voltar atrás. O resto [demissões de ministros, apontar de dedos a um problema que tem teias de aranha, críticas às autoridades e demais profissionais no terreno] é lixo, é secundário, é o que menos importa. 

Agora, aceitar a morte, e ainda por cima esta que chegou desta maneira tão implacável, bem, isso sim é um inferno. Que saibamos todos chorar os nossos mortos em recato. Eu não consigo de outra maneira. Só em silêncio poderemos fazer o luto e ultrapassar mais um capítulo negro da história do país. 

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