Escuso-me a comentar o que vai por aí por essas redes sociais fora sobre a ida de Cristiano Ronaldo à Casa Branca, agora com Trump. Já abordei, por várias vezes, o ódio que lavra neste mundo digital onde (quase) todos agora vivem. Ronaldo é livre.
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| Crédito da Foto: Facebook Cristiano Ronaldo |
É dono do seu destino. Das suas escolhas. Da sua vida. Mas também é planetário. Ninguém como ele consegue mobilizar ideias, convicções e também o bem ou o mal. Tal como qualquer um de nós, tem direito a dizer o que pensa. Tal como o episódio na tragédia de Diogo J., também aqui está a ser crucificado pela sua escolha. Vivemos num mundo em que não sabemos conviver com a diferença. Em que condenar é mais fácil do que compreender. Se o Presidente dos EUA fosse, porventura, outro, quiçá, Obama, decerto que estaria tudo bem. Porque não olhamos para o lado positivo das coisas, é mais fácil destruir do que construir. A juntar a isso, até o gosto pela leitura de CR7 é motivo de disparos a um homem que tem um passado, que chegou onde chegou não pelo berço intelectual mas sim pelo sacrifício que a pobreza extrema ditou. No mundo em que vivemos só importa o agora, não tem relevância o passado. A tudo isto se chama falta de sensibilidade, de empatia.
Ronaldo não precisa de compreensão, porque nada disto o abala. E não se suporta no dinheiro que tem. Escolheu antes usar a influência global que tem para tentar fazer o melhor que sabe. Não ver isso é não ter a capacidade de olhar um homem que é o melhor do Mundo no destino que lhe cabe. Gosta da forma como Trump é, não disse que concordava com as suas posições. Não gosta de ler, e disse que para si é uma coisa positiva, porque nunca teve quem lhe demonstrasse o contrário. Tudo isto não faz dele pior nem melhor do que aqueles que acham o contrário. E está tudo certo, de um lado e do outro. O que está errado é a espada que se coloca sobre a cabeça de um homem que se confunde com o seu suor, com as suas lutas, com a sua realidade. Tal como muitos de nós. Tal como eu. Que não nascemos em berços de ouro nem em camas de prata. A única diferença é que cada um de nós tem um caminho diferente.
É tudo isto que o Mundo e a sociedade precisa trabalhar quando decide olhar para o outro. Mas tudo isto deve ser só de mim. E é isso que não posso guardar quando passo dias a assistir a uma tentativa de destruição de alguém que é apenas e só um homem, fruto da vida e da sua circunstância. Ronaldo cumpriu-se e resolveu-se. E talvez falte também à Humanidade fazer o mesmo consigo própria.

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