Sou filha desta terra. Mas também do Tejo, o nosso querido Rio, companheiro de uma vida, que me acompanha desde que me lembro de ser gente.
Há muitos anos que não vivíamos, de novo, a angústia dos caudais a subirem. E subirem, sobretudo, da forma como aconteceu. Fevereiro tem sido um mês desafiante para Portugal, de Norte a Sul, com sucessivas tempestades e cheias sem precedentes.
Em Abrantes, memórias de tempos idos voltaram às nossas vidas na semana passada. Ver toda a zona ribeirinha inundada traz-nos à mente recordações nada felizes de anos e décadas passadas. Mas, se há coisa que os abrantinos sabem é o que fazer, como fazer, como se comportar, como antecipar. E isso ficou bem visível, mais uma vez, nestas cheias de 2026.
Conhecemos bem os perigos. Por que já por eles passámos noutras temporadas. Sabemos, de cor, como se comporta o nosso Tejo, rio que nos une, que nos abraça e que corre, vagarosamente, para o mar.
Aconteça o que acontecer, sairemos disto, como no passado. E recomeçaremos mais uma vez. Mas, se sabemos tudo isto, também temos de ter consciência que as alterações climáticas são um novo fator na equação que nos obriga a todos a mudar de vida, de comportamentos, de atitude.
A todos os portugueses que, de Norte a Sul, têm passado por provações dolorosas, que tenham a coragem de resistir. E, sobretudo, de recomeçar.
Aos abrantinos, um abraço gigantesco e que possam continuar a resistir como sempre! O Tejo, as suas agruras, mas também o melhor que ele nos dá, farão sempre parte da nossa identidade enquanto povo!
Uma última palavra para a Proteção Civil, Câmara Municipal
de Abrantes e restantes autoridades que, de forma exemplar, têm estado à altura
das adversidades! Somos Povo do rio, mas somos, essencialmente, uma comunidade
una, que, nos momentos mais dramáticos sabemos unir-nos, e em que ninguém fica
para trás!
Podcast na Antena Livre, 96.7 fm, de dia 9 de fevereiro de 2026. OUVIR aqui.

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