Luís Neves: os desafios que tem pela frente

Luís Neves, até agora Diretor Nacional da Polícia Judiciária, toma hoje (ontem) posse como novo Ministro da Administração Interna (MAI).  Os desafios são muitos, numa pasta difícil, mas essencial, e que tem passado por muita turbulência nos últimos anos, por culpa de um primeiro-ministro que insistiu em escolher perfis errados para o cargo. 



Luís Neves tem carreira pública conhecida na PJ. Com altos e baixos, é certo, mas entre o deve e o haver, o saldo da sua competência técnica e científica é positivo. É isso que inspira confiança para este desafio, que exige muita tenacidade num Governo minoritário, frágil e onde, sabemos todos, quem manda nos cofres públicos são as Finanças. A Administração Interna é uma das áreas mais importantes nas funções de soberania de um Estado de Direito. A Segurança Interna é primordial e, neste aspeto, Luís Neves é um homem preparado e conhecedor do terreno, sem grandes esqueletos no armário que o possam fragilizar. 

Há dois pontos importantes que as polícias esperam do novo ministro: a sua valorização profissional e a robustez de meios, humanos e materiais, que é preciso reforçar. E se há prioridade que Luís Neves já assumiu no passado recente e longe de saber que ia ser MAI, são os salários na PSP, sobretudo os de início de carreira, que considera inaceitáveis. Isso ele já não pode negar. 

As forças de segurança e a proteção civil precisam de um líder forte, conhecedor do terreno e que saiba comunicar interna e externamente. Luís Neves tem todas essas capacidades. Espero, sinceramente, que lhe corra bem e que possa dar às polícias deste país a dignidade que tanto merecem. A começar pelas negociações com os sindicatos sobre recursos e meios. A liderar com a voz de comando necessária em que todos os profissionais se revejam e sintam que não estão abandonados num vazio de silêncio e de poder. 

Aconteça o que acontecer, finalmente Luís Montenegro sai do seu isolamento e solidão de decisões e escolhe um bom ministro da Administração Interna. Resta saber se Luís Neves cederá aos jogos de poder da política, ou vai preferir, se lhe permitirem, deixar um legado estruturante para uma área nevrálgica do Estado português. 

Não acredito, para já, na caça às bruxas que por aí já corre, e que colocam Luís Neves como cordeirinho do poder. Prefiro acreditar na meritocracia que lhe pauta o currículo. É nessa esperança que tem de residir o nosso futuro.  Portugal, as nossas polícias e a nossa segurança interna merecem!

Podcast/Crónica Antena Livre, 23 de fevereiro de 2026. Ouvir.

Comentários