“A Queda de Goa: Causas e Consequências - Uma Síntese” é a nova obra da autoria de Mário Matos e Lemos, publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra.
Esta é uma análise sintética e documentada de um dos momentos mais significativos da história portuguesa do século XX.
Nesta obra, o autor propõe uma síntese dos acontecimentos que marcaram os últimos anos de Goa sob administração portuguesa, entre a independência da Índia britânica, em agosto de 1947, e a invasão do Estado Português da Índia pela União Indiana, em dezembro de 1961. O livro analisa os fatores políticos, diplomáticos e militares que conduziram ao desfecho deste episódio marcante da história contemporânea portuguesa.
Para além de recorrer a vasta bibliografia já publicada, a
obra integra também documentação inédita, incluindo telegramas enviados pela
Embaixada de Portugal em Karachi com informações recolhidas junto de
jornalistas estrangeiros que chegaram de Goa após a invasão. Estes documentos
constituíram algumas das primeiras informações fidedignas sobre os
acontecimentos, numa altura em que as comunicações oficiais eram extremamente
limitadas.
O autor faz uma síntese do que se passou com Goa e em Goa nos últimos quase catorze anos da sua vida sob a bandeira portuguesa, ou seja, desde que a Grã-Bretanha deu a independência à sua colónia asiática, em agosto de 1947, até à invasão do Estado Português da Índia, em dezembro de 1961.
Para isso, além de recorrer ao muito material publicado, e que é abundantemente citado, são utilizados documentos inéditos, como os telegramas que a Embaixada de Portugal em Karachi enviou para Lisboa com as informações dadas pelos jornalistas estrangeiros chegados de Goa à capital paquistanesa depois do Natal, e que foram as primeiras informações fidedignas recebidas. Até então, o Governo nada sabia de concreto, pois a União Indiana só autorizava o envio de telegramas por um jornalista da agência noticiosa Reuters.
Inéditos também, entre outros, o relatório da visita de um
diplomata brasileiro aos prisioneiros portugueses em Goa, o relatório final do
General Vassalo e Silva, as considerações a esse relatório, os recursos aos
tribunais de alguns dos militares punidos, as Memórias do diplomata Bonifácio
de Miranda e duas informações de outro diplomata, Luís Gaspar da Silva, que se
encontrava em posto no Paquistão e que afirma ter sido contactado pelo
Embaixador de Marrocos em Karachi que, a pedido do seu colega chinês, informava
que a China estava disposta a pressionar militarmente a União Indiana, em troca
do reconhecimento do regime. Também segundo o mesmo diplomata, o chefe dos
serviços secretos paquistaneses comunicou-lhe, semanas antes, a data exata em
que a União Indiana atacaria Goa, informação remetida para Lisboa e que terá
desaparecido.


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