Foi a 26 de abril de 1986 que aconteceu aquele que é considerado o mais grave acidente nuclear da história.
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| O abandonado Palácio da Cultura Energetik, um dos símbolos da antiga cidade. Foto: Wikipédia. |
A nuvem nuclear percorreu quase toda a Europa, incluindo a Espanha, e chegou até ao Japão. O desastre ocorreu no reator número 4 da Central Nuclear de Chernobyl,
no norte da Ucrânia (na altura parte da União Soviética), durante um
teste de segurança mal executado que resultou numa explosão e num
incêndio descontrolado.
A explosão libertou enormes quantidades de partículas radioativas na
atmosfera, afetando grande parte da Europa. Milhares de pessoas foram
evacuadas, incluindo toda a população da cidade vizinha de Pripiat, construída apenas para os trabalhadores da central.
Quarenta anos depois, o MIA - Movimento Ibérico Antinuclear considera, em comunicado, que "não nos libertámos de Chernobyl. "A contaminação radioativa persiste em vastas áreas da Europa, afetando ecossistemas, cadeias alimentares e comunidades humanas. Milhares de pessoas foram expostas à radiação e continuam a viver com as suas consequências, muitas vezes invisíveis, mas duradouras. O acidente não pertence ao passado: continua presente no território, na saúde pública e na memória coletiva, demonstrando que os impactos da energia nuclear se prolongam por gerações e não conhecem fronteiras", salientam os responsáveis do MIA.
E recordam que, décadas depois, "persistem zonas interditas, solos contaminados e populações que vivem sob o peso de uma catástrofe que nunca terminou verdadeiramente. Esta realidade contraria a narrativa de segurança frequentemente associada à energia nuclear e demonstra que os custos humanos, ambientais e económicos são incomportáveis".
Para o MIA, a experiência de Chernobyl deve servir de alerta para a realidade ibérica. "Em particular, a Central Nuclear de Almaraz, situada junto ao rio Tejo e próxima da fronteira portuguesa, constitui um risco transfronteiriço que não pode ser ignorado. O envelhecimento das infraestruturas, os riscos sísmicos, a possibilidade de acidentes graves e a contaminação associada ao funcionamento normal da central reforçam a urgência do seu encerramento", salientam.
Chernobyl foi há 40 anos mas os impactos ainda hoje se sentem. Continuamos a ignorar?

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