“Quem se mete com o PS leva”. A célebre frase, proferida por Jorge Coelho, há mais de 20 anos, vem-me à memória por estes dias.
Tudo porque na semana passada ficamos a saber, que no âmbito da operação ‘Imergente’, com buscas domiciliárias em vários locais, havia 37 arguidos e cinco detidos, entretanto já libertados com termo de identidade e residência.
O caso deixou em choque as hostes socialistas. Em causa estão crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia lideradas pelo PS. Um deles é Duarte Moral, assessor do Secretário-Geral, José Luís Carneiro, que tem sobre ele a espada de 30 ajustes diretos numa teia de interesses sem fim.
Um dos que se insurgiu foi João Soares, invocando também o seu desagrado pelo dia escolhido pelas buscas, o 28 de Maio (data que assinala o centenário do golpe de Estado de 1926) e que marca o início da ditadura em Portugal.
O que se lamenta é que esta indignação não venha acompanhada do reconhecimento de que foi na sua própria casa, a par da família laranja, que nasceram os interesses e compadrios que vieram com a democracia. Cresceram durante os últimos 50 anos, e abriram caminho à corrupção, à falência das instituições, lideradas em muitos momentos, por gente sem ética e onde os interesses particulares se sobrepuseram, em muitos momentos, ao bem-estar comum.
Que a polícia investigue e que os tribunais julguem. Até lá, todos são inocentes e essa é a maior conquista democrática. Agradeçam!
Nota: Podcast de 01 de junho de 2026 na Antena Livre. OUVIR.

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