Nunca escondi que adoro Léo Messi desde que se tornou o jogador que é. Nunca escondi o amor que tenho à Argentina. Uma paixão que começou ainda adolescente e vibrava a ver jogos de Diego Maradona.
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| Foto: Facebook Léo Messi |
Se há futebol
mágico para quem, naqueles tenros anos não sabe nada de nada, é o que vem da
América do Sul.
Depois, bem, depois,
veio a paixão pela história do país, pelo tango nascido nas margens do rio
Prata, nos bordéis e bares das ruas de Buenos Aires, sobretudo nos subúrbios
pobres da capital. Foi o gigante Carlos Gardel que havia de me agigantar o amor
por uma dança que seduz, conquista e me avassala.
José Luís Borges
encantou-me pela arte da sua literatura que havia de me moldar como nunca,
fazendo-me pensar na identidade que criamos, nos labirintos da vida e no bonito
que é não ficcionar nada além dos guiões.
Hoje, decide-se o campeão do
Mundo. Pela segunda vez há a possibilidade de ver a Albiceleste campeã. Temo
que se repita o turbilhão que me dominou na final de 2022 no Catar, onde fomos
ao inferno e regressamos. Caímos e levantamos. É esse o maior capital desta
seleção: a capacidade de jogar com o coração, como se continua a jogar nos
bairros de Buenos Aires, com amigos e família. Onde o futebol é nu e cru. Sem
merdas. Apenas sonho e bola no pé.
O povo
argentino vive uma das suas piores e maiores crises económicas e sociais de
sempre, com Javier Milei a levar um país inteiro por um caminho que muitos
temem. Tem no futebol e na sua seleção um ânimo extra terreno. E eles sabem
isso. E sabem o quão importante é este título.
Aconteça o que
acontecer, não tenho dúvidas de que hoje a mesma identidade de sempre estará
lá. A firmeza do coletivo será fortaleza. E a alma guerreira argentina
aparecerá, seja lá como for. Já cumpri, em vida, o sonho de vê-la campeã.
Hoje, pode ser a bi. E isso seria extraordinário. Mas o adversário é de
respeito e tem do seu lado um grande capital de qualidade também ele
extraordinário.
Lá em cima,
Diego dançará um belo tango, fumará um valente cigarro, e haverá de sorrir, com
aquele jeito de miúdo irreverente e sonhador que começa no pé e se plasma no
rosto.

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