Scorpions: crónica de 60 anos intemporais

Começo esta crónica com uma declaração de interesses. Sou fã dos Scorpions há pelo menos 30 anos. Os mesmos que carrego de palcos, de lágrimas e sorrisos, com os velhinhos rockeiros de Hannover, nascidos numa garagem desconhecida naquela cidade alemã, corria o ano de 1965. 



Para os mais próximos, esta crónica não será novidade, para os restantes ouvintes, talvez, e a minha mea culpa por hoje a dedicar a uma banda que representa um ícone do rock nos últimos 60 anos. 

Estiveram em Lisboa na semana passada num concerto que se tornou já uma romaria de quem os seguirá até ao fim, em mais um poema que assinala um percurso histórico e irrepetível!  

Portugal é casa e não podia ficar de fora da digressão ‘Coming Home’, em português, ‘regresso a casa’, que já tinha passado em 2025 no MEO Marés Vivas, em Gaia, aquando da celebração dos 60 anos da banda alemã. 

Esta crónica é, pois, dedicada a eles. A eles que também na Antena Livre foram banda sonora décadas a fio, que criaram com o público português uma relação especial, de sangue e pele, e que se manterá viva até ao último acorde oficial. 

Numa MEO Arena esgotada, os 5 magníficos de Hannover provaram mais uma vez por que continuam a resistir ao tempo, às vicissitudes da saúde e da terrível idade. E pese embora todos esses obstáculos, continuam a dar ao seu fiel público um concerto sólido, seguro, enérgico e irrepreensível.  

O amor entre os Scorpions e Portugal continua inabalável e a história continua a fazer-se, por cá, e por todo o mundo, onde em 2026 continuam a encher recintos e salas, como se ainda estivéssemos nos anos 80 ou 90. E isso não está ao nível de qualquer um.  

Apoiados num setlist clássica, mas a honrar as seis décadas, que abrange a fase mais roqueira e as baladas da praxe que apaixonaram sempre o seu público, esta crónica assume-se como uma carta de amor a uma banda que resistiu, que fez do rock rochedo e que se manteve, até hoje, fiel aos seus valores musicais, à luta pela paz mundial e imune a uma opinião pública que atualmente se confunde com as redes sociais e onde prolifera o ódio, a falta de respeito, o pluralismo e a sensatez. 

Uma coisa é certa: há noites que simbolizam toda uma vida. Há dias em que nos espera aquilo com que não sonhamos, mesmo 30 concertos depois. E há momentos indescritíveis, que estão destinados a serem especiais. Esses, são mesmo os melhores, que se entranham, que nos esventram, que estão condenados a começar e a não terem fim. É por isso que os Scorpions serão eternos e épicos nos corações da sua enorme legião de fãs por todo o mundo! Obrigada, rapazes, por esta viagem épica e transformadora! Porque os crentes do rock, esses, ainda resistem e tentam fazer deste um Mundo melhor!

Podcast na Antena Livre, de dia 13 de julho de 2026. OUVIR

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