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Face Oculta. A sentença.


No dia em que o colectivo de juízes do Tribunal de Aveiro lê o acórdão do processo «Face Oculta», e com as condenações de prisão efectiva já conhecidas para figuras como Armando Vara, José e Paulo Penedos e Manuel Godinho (as faces deste processo), há algo que, a quente, me apetece dizer. A Justiça portuguesa tem muito caminho ainda a percorrer, muitos erros para emendar, muitas lacunas para colmatar. Mas uma coisa é certa: ainda que lenta, funciona e chega a um lugar certo sempre que é preciso. Comparando os casos de corrupção de há 20 anos (para não ir mais longe) com os de hoje, percebemos que a Justiça melhorou, nos processos de investigação, de acção e, porque não dizê-lo, de coragem. A corrupção, como todos sabemos, é um crime tremendamente difícil de provar. E até por isso, a Justiça portuguesa, na minha opinião, merece essa prova de confiança. E eu continuo a acreditar nela. Elogiando-a quando ela merece e criticando-a quando ela também faz por isso. O maior problema que temos em Portugal é a crítica fácil, por tudo e por nada, gratuita, seja quando as coisas funcionam seja quando corre tudo mal. E isso é um entrave terrível ao desenvolvimento de um país. Haja bom senso e vontade para combater esse lado que, em parte, é mais cultural que outra coisa.

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