Avançar para o conteúdo principal

35 anos de Rádio. Da minha Vida!




35 anos. De sons. De informação. De Rádio. Num país pequeno, como Portugal, onde escasseiam apoios – não falo de financeiros, porque às vezes o dinheiro não é, de todo, o mais importante – é obra haver uma rádio que chega aos 35 anos de vida. Essa Rádio chama-se Antena Livre. É a Rádio da minha vida e confunde-se, em boa parte, com a minha idade. Foi ela que me acompanhou ao longo de parte da minha vida, do início da minha Existência, enquanto cabeça pensante, ser que sempre quis escolher uma profissão que lhe desse sentido. Primeiro enquanto ouvinte, depois enquanto estudante, mais tarde quando na minha cabeça já não havia dúvidas de que estava escrito que queria ser jornalista. A Antena Livre esteve lá sempre. Marcou esse processo de crescimento, de escolhas e caminhos. Para o bem e para o mal. No Interior, longe do desenvolvimento apressado das grandes urbes, houve sempre uma Rádio que resistiu, que não se conformou, que não desistiu, que não parou. Com muitas dificuldades, não duvidem, mas com o desejo maior de cumprir a sua missão. Graças a isso, e aos profissionais que nestas mais de três décadas, nunca a deixaram calar-se. Provou-se a si mesma, quando outros caíam, nunca esmorecendo. Nunca esqueceu os seus, as suas populações, os seus problemas mas também os seus desafios. Testou-se sempre a si mesma. E hoje aí está, firme na sua missão, os ouvintes. Sempre os ouvintes. 

A vida não é irónica, como muitos, provavelmente, acham. Eu pelo menos não acredito nestas ironias. É por isso que nas voltas que ela dá, nos conduzem sempre onde temos de estar, mesmo que estejamos longe. Foi isso que aconteceu na minha já longa relação com a Antena Livre. Depois de partir do berço, estava escrito que a nossa história ainda tinha linhas para contar. É por isso que há cerca de quatro anos aceitei, com muito orgulho, o convite que me chegara: semanalmente contribuir com a minha simples opinião em jeito de crónica. Desafio que dura até hoje e que o cumpro com muito entusiasmo e prazer. Por isso, neste dia que a Antena Livre cumpre 35 anos de vida, quero agradecer a todos os que ajudaram a manter viva a relação, em especial Jerónimo Jorge e ao Paulo Delgado. Também vocês, amigos, colegas e "cupidos" deste meu antigo amor são responsáveis por este capítulo da minha vida que, sei, jamais se encerrará. Parabéns a todos os que fizeram, fazem e virão a cumprir a Rádio. Porque ela é a voz da cidadania, é a voz de todos nós, é a voz essencialmente dos abrantinos, que hoje também estão de parabéns. Quanto a mim, continuarei a dar o melhor de mim, do que penso, do que sou, do que fizeram de mim também. Em liberdade e nas ondas de uma menina que está uma trintona muito, mas muito bonita!

P.S. – Neste momento tão especial, a Antena Livre preparou muitas surpresas e novidades para os ouvintes. Oiça-a em 89.7 ou em www.antenalivre.pt.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Autárquicas 2017: o papel dos independentes

Um primeiro-ministro à altura da tragédia

«O país partilha um sentimento de luto nacional e um grande sentido de unidade. A quem perdeu familiares e amigos, a nossa solidariedade», escreveu António Costa, na sua conta no Twitter
Há momentos dolorosos de um primeiro-ministro. Este, sei-o bem, é um deles. 
A imagem, essa, diz tudo.

Sinto-me miserável

Não devia hoje falar sobre a tragédia que aconteceu em Portugal este fim de semana. Mas sinto que preciso abordar o tema.
Em primeiro lugar porque há todo um país a chorar os seus mortos. O que aconteceu em Pedrógão Grande parece saído de um filme de terror.
As imagens, os sons do silêncio e o desespero de quem perdeu os seus fazem-nos sentir, à distância, miseráveis. Eu, confesso, sinto-me miserável. Como testemunha. Como impotente. 
É certo que muita coisa podia ter sido feita para aliviar o drama.
Contudo, o conjunto de fatores climáticos únicos e extremos que se encontraram ao final do dia de sábado, mudaram o percurso da história.
Em Abrantes viveu-se o mesmo fenómeno. Eu própria, durante duas horas, assisti a tudo.
Um céu negro que se formou lentamente, relâmpagos de terror e a formação de ventos muito fortes conduziram a momentos dramáticos e de reviravolta no incêndio de São Miguel do Rio Torto.
Isto mesmo comprovaram as autoridades. Das poucas certezas dadas, há uma que é inequí…