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Momento «Em nome de ti, ALA», dia 114.

Momento «Em nome de ti, ALA», dia 114: «Sabe o que mais me impressionou do hospital? A imensa dignidade das pessoas, dos enfermeiros da unidade de oncologia. Todos eram príncipes. Era um hospital do Estado, por isso havia gente pobre, a portar-se com uma dignidade de aristocratas, com coragem, nunca ouvi uma queixa, não ouvi ninguém a rogar ou pedir “salve-me”. As pessoas aguentavam caladas, a sorrir, saudando-te, desejando melhoras, muitas delas com metástase por todas as partes. Sabiam que iriam morrer, e morriam sem se queixar, sem medo. Eu vi gente a borrar-se de medo na guerra. E o espectáculo da covardia é horrível. Vi assim um tenente: todos os oficiais lhe davam pontapés e o insultavam, e o tipo não fazia outra coisa a não ser chorar. A covardia, fisicamente, é feia. Reduz-te a um ser miserável, despojado de toda a dignidade de homem».

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